segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Vídeo da panfletagem do dia 23/12

Movimentos sociais vão às ruas chamar a população para mobilização contra o aumento da passagem de ônibus.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Entrevista com o MPL sobre o aumento da tarifa de ônibus em janeiro

Breve entrevista que o militante André "Beavis" cedeu ao jornalista Jacson Almeida, da Gazeta de Joinville:

Já conversaram com o Carlito?
Nesse momento não, mas nós já conversamos com ele e com o IPPUJ em diversos outros momentos e eles sabem muito bem, assim como toda população joinvillense, que o movimento é completamente contra qualquer aumento na já elevada tarifa do ônibus. Outra coisa que vale ser colocado, é que o Carlito não conversou com ninguém da sociedade civil, nem dos movimentos sociais da cidade para saber o que achávamos do aumento. Ele só conversou com os empresários das empresas de ônibus.

Haverá pressão para não aumentarem?
Sim, nós do MPL estamos nos posicionando contra o pedido de aumento, e começando um processo de mobilização das pessoas para lutar com o (possível) aumento.

Acham que é justo a tarifa?
Você acharia justo pagar R$ 2,30 para tomar uma injeção contra a Gripe A, pelo Sistema Único de Saúde (SUS)? Ou acharia justo pagar R$ 2,30 por cada dia de aula em uma escola pública? Ou ainda pagar R$ 2,30 para brincar em alguma praça pública da cidade? O fato não é se a tarifa é justa ou não, porque ela esta cara ou não. O grande 'x' da questão é: porque se paga por um serviço público e para os demais serviços não se paga? Ou seja, eles são pagos de forma indireta, através dos impostos que a prefeitura arrecada. No nosso ponto de vista qualquer tarifa cobrada no transporte coletivo é injusta.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ato contra aumento na tarifa!


A Frente de Luta pelo Transporte Público convoca um ato contra o aumento na tarifa de ônibus, para o dia 06 de Janeiro.

Mudar o transporte e barra o aumento, só depende de nós!

Ajude a chamar pessoas para lutar contra essa injustiça, juntos somos mais fortes!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

2,30 já é ROUBO! Nota contra o pedido de aumento na tarifa de ônibus

O Movimento Passe Livre (MPL), vem se posicionar contra mais esse absurdo pedido de aumento na tarifa de ônibus. Pedido esse legitimado por uma perícia, feita no sistema. Perícia essa que fala que as passagens deveriam custar R$2,86. Engraçado notar que apesar da perícia as empreses pediram R$2,88, erro de digitação?, ou será que é o pedido de presente de natal para o papai Noel de Bogo e de Harger?

Vale a pena lembrar que essa perícia foi feita pelo mesmo Instituto que fez uma perícia no sistema de transporte coletivo de Blumenau, o que garantiu um aumento, que levou a tarifa de lá para R$2,57. Esse é o instituto que hoje é questionado por duas ações civis públicas no ministério público, por fraudes na planilha apresentada.

A prefeitura vem fazendo há dois anos o papel de João sem braço da história, ora diz que o problema é técnico, ora diz que o problema é político (e de político ele tem muito, por isso, não é prudente aumentar tarifa antes de eleições. Deixe que elas passem, daí não tem mais problema), e de fato não apresenta solução alguma para o problema e brinca de “esconde, esconde” e não abre o jogo para a população do que de fato saíra nas licitações. Não abre o hoje e vem para o debate franco de propostas concretas para o sistema, e enrola a população e os movimentos sociais da cidade.

Agora vem mais um pedido de aumento de presente de natal para todos os joinvillenses e a pergunta que não quer calar é: o que a prefeitura vai fazer?. Dizer: “Ai meu deus, é o sistema, são os números. Olhem só, não tem solução, vai ter que aumentar.”

O Movimento Passe Livre vem dizer que tem solução, o que falta é vontade. A prefeitura é tão culpada quanto as empresas, por vir legitimando essa lógica de transporte coletivo, que prioriza os lucros dos empresários, em degradação da mobilidade urbana da população da cidade. Prefeitura essa, que espera ganhar as eleições para somente depois pensar em soluções para o transporte. E resolve pensar essa solução sem escutar as pessoas da cidade, sem escutar os movimentos organizados, muito menos se esforçando para escutas as pessoas comuns, que mesmo desorganizadas, tem direitos. Direito esse de serem ouvidas, de pensarem a cidade e de ousarem reconstruí-la, de forma mais democrática e inclusiva. Esse é o direito que nós temos à cidade, e é disso que estamos falando, não de números e blá-blá-blás da politicagem. Mas sim de direitos e projetos de cidades, um projeto excludente e antidemocrático e outro includente e democrático.

2,30 já é roubo!

Movimento Passe Livre - Joinville.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Reajustes da tarifa de ônibus em Blumenau voltam a ser questionadas pelo Ministério Público


Em setembro deste ano, ocorreu um novo aumento da tarifa de ônibus de Blumenau. O valor, que agora é de R$ 2.57, foi fundamentado na perícia feita pelo Instituto Professor Rainoldo Uessler (IPRU), sugerida pelo Conselho Municipal de Transito e Transportes (Comtranblu), que também analisou o orçamento apresentado pelo Consórcio SIGA e a planilha GEIPOT. Contudo, duas ações civis públicas, protocoladas no dia 24 de novembro na Vara da Fazenda Pública de Blumenau, voltam a questionar reajustes da tarifa de transporte coletivo de Blumenau.
Em uma das ações, Diaz argumenta que a auditoria que determinou a passagem de R$2,57, em vigor hoje, contém fraudes e diz que o Instituto Professor Rainoldo Uessler, responsável pelo trabalho, teria majorado artificialmente os coeficientes de vida útil de seis itens da planilha de custos (pneus, frota operante, encargos sociais, fator de utilização de motoristas, cobradores e fiscais; peças e acessórios), provocando aumento acima do necessário. O promotor ainda solicita que o presidente da Seterb, Rudolf Clebsch e o prefeito João Paulo Kelinübing sejam condenados por improbidade administrativa. Além de terem que arcar com uma multa estimada em R$ 3,5 milhões, os dois teriam também, seus direitos políticos suspensos.
Em fevereiro deste ano, também houve mais um reajuste na tarifa de ônibus de Blumenau. O valor que era de R$ 2,30 passou para R$2,55. Entretanto,o aumento foi suspendido por uma liminar do juiz Osmar Tomasoni que se baseou em duas ações civis públicas, uma protocolada pela Associação Catarinense de Defesa dos Direitos Constitucionais (ACDC) e outra pela Associação de Moradores da Rua Coripós. A prefeitura, o Seterb e o Consórcio Siga, além de tentarem provar que as planilhas de custos forão auditadas, tentaram derrubar a ordem judicial, alegando que a suspensão temporária do aumento, acarretaria em danos ao cofres públicos.
O questionamento do aumento da tarifa, vale também para 2009, quando o preço da passagem de ônibus deveria ter aumentado de R$ 2,05 para R$2,19 e não R$2,30 como praticado. Segundo o promotor de Justiça Gustavo Mereles Ruiz Diaz, "o município teria calculado o reajuste de maneira fraudulenta, casionando aumento de R$ 0,11 além do necessário".

O MPL vem falando ano após ano, que enquanto prevalecer essa lógica de tarifa, não existe solução para esse sistema de transporte. Ele é um sistema onde a população de Joinville tem que pagar muito mais do que pode para se locomover, enquanto algumas famílias enriquecem as custas disso. É um sistema que da brecha a manipulações de planilhas e fraudes. Nós precisamos urgentemente repensar esse modelo, mudar a lógica de quem "paga quem usa", para "paga quem se beneficia". Que as pessoas que realmente se beneficiam com o deslocamente do mão de obra e consumo, arquem com esse custo. Precisamos mudar a lógica da tarifa, para a lógica da municipalização, pagando as empresas por KM rodado. Ai sim, não com uma 'pericia" ao valor pago as empresas, mas sim uma auditoria completa no sistema. E através de impostos fortemente progrevissos, os ricos dessa cidade arquem com esse custo, fazendo assim um politca de redistribuição de renda, garantido a mobilidade urbana para toda a população da cidade. Tudo isso vigiado bem de perto por toda a população de Joinville, com espaços que garantam, de fato, a participação popular na gestão desse sistema.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cancelamento do 3º Seminário: Mudar o transporte, fazer a cidade


O 3º seminário “Mudar o transporte, fazer a cidade” foi cancelado, por problemas de última hora com o local que seria realizado o evento.
A Frente de Luta pelo Transporte Público, decidiu que não há mais tempo para substituir o local do seminário. A mudança iria ocasionar em problemas para a divulgação e confundir as pessoas que iriam ao evento.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

3º Seminário: Mudar o transporte, fazer a cidade

O 3º Seminário "Mudar o transporte, fazer a cidade", vem aí. É dia 20 de novembro, às 18hOO na ACE, que fica ao lado do Hospital São José. O seminário irá debater alternativas para o atual sistema de transporte joinvilense, como por exemplo a tarifa zero, modelo defendido pelo MPL. A entrada é franca.

Visite também: http://nozarcao.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Aumento da tarifa em 2011, prepare-se

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Impasse é reexibido no Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre


Dia 26 de outubro é o dia nacional de luta pelo passe livre e para a celebração desta data, a Frente de Luta pelo Transporte Público organizou a reexibição do documentário Impasse nessa terça (26), as 19h na Praça da Bandeira, em Joinville.
A platéia, formada por pouco mais de 40 pessoas, estava dividida entre militantes e pessoas que tinham outro rumo na cidade, mas acabavam parando para observar atentamente o filme sobre as manifestações de Florianópolis. Muitos destes curiosos seguiam em frente, já outros ficavam parados em pé ou procuravam um lugar para sentar e assistir tranquilamente ao documentário.
Quem estava dentro do Terminal Central fazia um esforço para dar uma espiada enquanto esperava o ônibus chegar. O som ecoava em todas as plataformas do terminal. Do lado de fora, havia quem perguntava se as cenas do documentário eram de Joinville, demostrando que as manifestações na cidade já tinham se tornado comuns.


Enquanto o documentário passava, o Jornal Pula Catraca #2, do MPL, era distribuído para quem passava pelo local. Para os simpatizantes do movimento havia também uma banca que colocava a venda camisetas do MPL Joinville e DVDs do documentário Impasse.
A reexibição do documentário foi considerada um sucesso, não só pela quantidade de pessoas que estavam presentes na Praça, mas também pelo grande interesse destes, pela simpatização do povo com o filme.
Tudo ocorreu dentro dos conformes, terminando com uma salva de palmas e gritos: "Tarifa, Tarifa, Tarifa Zero já!"











(Clique nas fotos para melhor visualização)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Documentário Impasse é exibido em Joinville

O lançamento do documentário Impasse em Joinville foi considerado um sucesso por todos que estiveram presentes. A exibição do filme aconteceu no anfiteatro do Ielusc e contou com a presença de cerca de 50 pessoas, entre militantes dos movimentos e entidades de base, apoiadores e interessados na discussão sobre o transporte coletivo na cidade e no Brasil.
O filme não é apenas uma cobertura das manifestações de rua, com imagens das passeatas e de confrontos com a polícia. Ele consegue ser mais que isso, mostrando também a atmosfera política que esta por trás dessa revolta, entrevistando diversas pessoas da Frente de Luta pelo Transporte Público (de Florianópolis), do Movimento Passe Livre e do Sindicato dos trabalhadores do Transporte. Também compõe o documentário entrevistas com os empresários que exploram os serviços de transporte em Florianópolis e diversos representantes do Poder Público. Além disso são feitas entrevistas com estudantes, trabalhadores e outras pessoas que participaram das revoltas e colocam seus pontos de vista sobre tudo o que estava acontecendo.

Após a apresentação do documentário, foi feito um rico debate entre os diretores Juliana Kroeger e Fernando Evangelista, a militante do MPL-Florianópolis Carol Cruz, o militante do MPL-Joinville, Bruno Marques e a platéia. Houve grande participação da platéia no debate, proporcionando um clima de conversa e não o tradicional sistema de “pergunta” e “resposta”.
Com o atual quadro de incerteza sobre o futuro do transporte coletivo, a cidade vem se mostrando interessada em discutir alternativas para o atual impasse em que se encontra o sistema de transporte coletivo. Esperamos que essa vontade de discutir se transforme em vontade de se organizar e reivindicar, pois só assim conseguiremos mudanças realmente significativas e positivas para o povo no que tange o transporte coletivo da nossa cidade.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lançamento do documentário Impasse em Joinville


O documentário Impasse, sobre as manifestações dos estudantes contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Florianópolis, vai ser lançado aqui em Joinville dia 23 de outubro.

Veja o trailer




Mais: http://www.impasse.com.br/

E fiquem atentos a mais informações pelo twitter do MPL Joinville.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Vídeo: MPL Curitiba decreta a morte do sistema de transporte coletivo




Fonte: MPL Curitiba - http://fureotubo.blogspot.com/

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Frente de Luta pelo Transporte público convida:

Reunião de organização de novas ações.

Local: Centro de Direitos Humanos (Plácido Olímpio, nº 660).
Dia e hora: sábado, 9 de outubro, às 18h.

http://nozarcao.blogspot.com/

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Carta Aberta sobre as Eleições

O Movimento Passe Livre de Joinville, declara que não apoia nenhum candidato a nenhum cargo político nas eleições. Também não fazemos campanha pelo voto nulo ou em branco. Acreditamos que as pessoas são livres para escolher em quem votar ou se querem ou não votar.
O Movimento reafirma seu princípio de apartidarismo, ou seja, não levantamos bandeira de partido ou política algum, seja de direita, centro ou esquerda. Apenas levantamos a bandeira por um transporte público de verdade.
Também reafirmamos que nossa forma de fazer política é nas ruas, conforme nossa carta de princípios afirma. Acreditamos que é através da organização das pessoas, nas ruas, reivindicando seus direitos, que conseguiremos as mudanças que precisamos para uma vida melhor.

Movimento Passe Livre de Joinville/SC

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Reunião de novos membros do MPL Joinville

Pra quem quiser conhecer melhor o movimento, estará sendo realizado a reunião de novos membros de setembro:

Data: 25/09 (sábado)
Horário: 15h
Local: Praça do Suíços (Bairro América, na rua XV de Novembro, próximo ao Museu de Artes de Joinville e da Cidade Cultural Antartica)

domingo, 19 de setembro de 2010

Estréia do documentário "Impasse"


A estréia do documentário Impasse, aconteceu na quinta-feira passada, dia 16 de setembro, em Florianópolis. O lançamento reuniu na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) cerca de 600 pessoas. Com o auditório cheio, as pessoas que ficaram do lado de fora, no saguão da reitoria, puderam ver o filme através de um telão.

Logo depois da exibição, ocorreu uma pequena manifestação em frente a UFSC. O ato tomou maiores proporções e seguiu para a Avenida Beira-Mar, ocupando as quatro pistas da via. Os manifestantes ainda ocuparam o Terminal da Trindade, antes de retornarem a Universidade.


Mais informações: http://passapalavra.info/?p=29139
ou:
http://www.impasse.com.br/

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Trailer do documentário Impasse



Esse é o trailer do documentário Impasse, dirigido por Juliana Kroeger e Fernando Evangelista, sobre as manifestações dos estudantes contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Florianópolis.
Além de cenas que não foram exibidas em nenhuma tevê, incluindo flagrantes de violência durante os atos públicos ocorridos em maio e junho deste ano, o documentário revela o que pensam usuários, trabalhadores, especialistas e empresários do transporte. Expõe as contradições e as diferenças de posição dos estudantes e dos representantes dos governos municipal e estadual.

Fonte: http://passapalavra.info/

Mais informações: http://www.impasse.com.br/

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Participe do Desfile - Por Uma Vida Sem Catracas

A Frente de Luta pelo Transporte Público convida você para participar do desfile da "independência" no dia 7 de setembro. A Frente participará de forma crítica, dialogando com a população a respeito de três questões fundamentais:

1) O possível aumento de tarifa em janeiro de 2011;

2) A licitação do transporte;

3) A necessidade de superar o modelo privado de gestão transporte.

Nos concentraremos na rua Itaiópolis (lateral da Beira-Rio), em frente a entrada do SESC, às 8h. Contamos com sua participação.

Frente de Luta pelo Transporte Público

Por um vida sem catracas!

Fonte: http://nozarcao.blogspot.com/

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre


Esse vídeo é uma chamada para o dia 26 de outubro, que é considerado O Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre.
Sua primeira "edição" ocorreu em 2005, onde uma catraca em chamas simbolizava a união das manifestações, ocorridas em 14 cidades. A data foi escolhida pois foi o dia em que um projeto de lei de iniciativa popular do passe livre (com cerca de 20 mil assinaturas) foi votado na Câmara de Vereadores de Florianópolis. O projeto foi aprovado em 4 de novembro.

Em breve mais informações.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Conheça o Movimento Passe Livre


Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o Movimento Passe Livre, será realizado neste sábado, 28/08, às 11h, um trabalho de base na ACE. A atividade estará aberta tanto para alunos, quanto para as pessoas que não estudam na instituição.

A ACE fica na Rua São José, 490 - Anita Garibaldi.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cancelamento da Reunião de Novos Membros

A reunião de novos membros do MPL Joinville, que iria acontecer neste domingo (28/08), no Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Braz (CDH) foi cancelada. Ainda não foi definida uma nova data para a reunião.

domingo, 22 de agosto de 2010

Tem francês lutando pela tarifa zero


Ao que parece, os suecos do Planka.Nu estão fazendo escola. Matéria publicada ontem no portal Terra cita a existência, em Paris, de um grupo chamado Rede pela Abolição dos Transportes Pagos (RATP), formado “principalmente por universitários e militantes de extrema-esquerda” e que “defende que o transporte público seja gratuito, assim como já acontece com a saúde e a educação”.

Basicamente o que nós, do Movimento Passe Livre, defendemos. Ponto pra luta pela tarifa zero!

A rede parisiense atua de forma similar ao Planka. Diz a matéria: “Para poder usar o serviço de graça, eles criaram um sistema que segue o mesmo princípio de uma seguradora. Os aderentes pagam uma cota mensal e, em caso de ‘sinistro’, apelam para o fundo para arcar com as despesas ocasionadas. A diferença é que a ‘seguradora’ em questão é para socorrer usuários fraudadores do transporte público parisiense, que, por convicção política – ou comodidade – decidiram não pagar mais pelo metrô ou ônibus na capital francesa”.

Apesar da condenação política cheia de juízo de valor da autora da reportagem (definindo o ato como fraude ou comodidade), é sintomático que este tipo de assunto tenha chegado às páginas brasileiras. Se não for sintomático, pelo menos interessante é e eu solto um “viva!”, pois coloca em foco argumentos legítimos para defender o sistema de transporte oferecido à população sem a cobrança na hora do seu uso: “A motivação da maioria deles, declarada em sites na internet, é a de que a carga de imposto na França, uma das maiores do mundo, é suficiente para garantir transporte gratuito para a população”.

Ainda segundo a reportagem, a RATP iniciou suas atividades em 1998 para defender a gratuidade para pobres e desempregados. Continua: “Desde 2006, essa reivindicação foi atendida, mas a RATP não se contentou. Hoje, defende a gratuidade para todos os usuários”. Para um dos entrevistados citados na reportagem, “a iniciativa de formar ‘seguradoras antimultas’ é uma forma de fortalecer o movimento e ser solidário aos que não podem arcar com os custos mensais de transporte. Um cartão mensal válido em Paris e na periferia próxima custa 55 euros R$ 127)”.

É claro que não é desta forma que a tarifa zero será aplicada para o conjunto da população e estes grupos como o Planka.Nu e a RATP sabem disso. É preciso transformar esta idéia em políticas públicas. Mas a iniciativa é louvável, pois emerge o debate. Por exemplo, por conta das ações da RATP a reporter teve de pesquisar e descobrir que existem cidades que aplicaram a tarifa zero: “Algumas cidades francesas, como Châteauroux, Compiègne e Vitrè, concordam que o valor obtido com a venda de tíquetes é irrisório e decidiram implantar o sistema de transportes gratuitos. As prefeituras alegam que as receitas correspondiam a, no máximo, 14% das despesas, o que não justificaria a manutenção da cobrança”.

Que a determinação destes grupos em colocar em pauta a necessidade da tarifa zero (seja através de movimentos de massa ou de pequenos grupos) inspire a retomada dos nossos movimentos aqui no Brasil e estimule o desenvolvimento de laços internacionais.

Fonte: http://tarifazero.org/2010/08/21/tem-frances-lutando-pela-tarifa-zero/


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Entrevista com Lúcio Gregori

Conheça um pouco mais sobre Lúcio Gregori e o projeto Tarifa Zero. Lúcio estará presente no 2º Seminário “Mudar o transporte, fazer a cidade”, que acontecerá dia 19 de agosto, aqui em Joinville.

Parte 1



Parte 2



Essa entrevista foi realizada pelo MPL de Brasilia/Distrito Federal.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

2º Seminário: Mudar o transporte, fazer a cidade

Novamente, uma oportunidade de discutir propostas alternativas para o atual sistema de transporte joinvilense, será aberta com o Seminário “Mudar o transporte, fazer a cidade” , que terá a presença de Lúcio Gregori, engenheiro e ex-secretário de transportes da prefeitura de São Paulo (na gestão Erundina, do PT, entre 89 e 92).

Lúcio tem um papel importante na história do transporte coletivo de São Paulo. Principalmente por ter realizado um projeto-piloto de tarifa-zero na comunidade Cidade Tiradentes, com 200 mil habitantes na época. O projeto, na ocasião, foi bem aprovado pela comunidade, que passou a utilizar ônibus a preço zero, cujo custo era integralmente sustentado pelo Estado.

Para ajudar no debate, estarão na mesa o Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, e o Movimento Passe Livre.

Após a palestra inicial e debate, a palavra será aberta ao público.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

2º edição do Jornal do MPL Joinville



O Jornal Pula Catraca, do Movimento Passe Livre de Joinville, já está em sua segunda edição. Quem quiser conferir a versão online, poderá clicar aqui.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

E.M.I.C.I.D.A. e KAMAU apóiam o MPL


No último sábado, 24/07, aconteceu a 4ª Edição do “Encontro das Ruas”, evento de Hip-Hop que acontece junto ao Festival de Dança de Joinville. Na ocasião os rappers E.M.I.C.I.D.A. e KAMAU “vestiram” a camisa do Movimento Passe Livre, apoiando a luta pelo transporte público.

E.M.I.C.I.D.A. - www.myspace.com/emicida

Triunfo (Trecho)

“...Milhares de olhares imploram socorro na esquina
No morro a fila anda a caminho da guilhotina
Várias queima de arquivo diária com a fome
E vão amontuando os corpo de quem não tem sobrenome
Eu vi, com os próprios olhos a sujeira do jogo
Minha conclusão é que muito buzo [zarco] ainda vai pegar fogo
Aí, todo maloqueiro tem em si
Motivação pra ser Adolf Hitler ou Gandhi
E se a maioria de nóis partisse pro arrebento?
A porra do congresso tava em chama faz tempo!”

KAMAU - www.myspace.com/kamau76

Poesia de Concreto (Trecho)

“...e acho que existem outros por aí

que olham pras paredes só pensando em demolir

pra ser livre, mas na real nem sabe como
perdeu toda noção acustumado a viver com dono
não condeno, mas não concordo e não me adapto
fora das paredes mais inspiração eu capto
me sinto apto pra cantar a liberdade
que se esconde entre as paredes de concreto da cidade.”



quarta-feira, 28 de julho de 2010

Apoiamos a Diversidade



PROGRAMAÇÃO


O quê: Abertura da Semana - Teatro Playback, qual é a sua história?
Quando: Domingo, 1º de Agosto de 2010 às 19h30
Atores: Andreia Malena Rocha, Clarice Steil Siewert e Eduardo Campos.
Onde: Teatro Juarez Machado
Quanto: Gratuito

O quê: Mesa redonda: Militância LGBT e Configurações Familiares
Quando: Segunda, 2 de agosto 2010 às 19h30
Quem:
Toni Reis – Presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis e Transexuais.
Maria Guilhermina – Militante LGBT e Suplente da Secretaria Regional Sul da ABGLT.
Walkíria La Roche - Diretora do Centro de Referencia LGBT da Secretaria Estadual de Direitos
Humanos, de Minas Gerais.
Ana Maria Konrath, estilista, mãe de jovem gay militante
Mediação:Emanuelle Carvalho - Associação Arco Íris de Joinville
Onde: Local: Teatro Juarez Machado
Quanto: Gratuito

O quê: Debate Família e Novas Conjungalidades
Quando: Terça, 3 de agosto de 2010 às 19:30
Quem:
Berenice Bento - Coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Diversidade Sexual,
Gêneros e Direitos Humanos - TIRÉSIAS/UFRN
Luiz Mello - Coordenador do Ser-Tão, Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e
Sexualidade, da Universidade Federal de Goiás.
Anelise Fróes da Silva - Pesquisadora do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades, do
Laboratório de Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina
Mediação: Sonia Lourenço – Coordenadora do Museu Nacional de Imigração e Colonização e da
Casa da Memória\Cemitério do Imigrante de Joinville.
Onde: Local: Teatro Juarez Machado
Quanto: Gratuito

O que: Políticas Públicas e Cidadania LGBT
Quando: Quarta, 4 de agosto de 2010 às 19:30
Quem:
Telmo Kieguel - Médico Psiquiatra de Porto Alegre, coordenador do projeto Discriminação da
Associação Brasileira de Psiquiatria e coordenador do Departamento de Psicoterapia da
Associação Brasileira de Psiquiatria.
Mitchele Meira – Coordenação Nacional LGBT da Secretaria Especial de Direitos Humanos da
Presidência da República.
Dr. Sérgio Luiz Junkes – Juiz da Vara da Infância e Juventude de Joinville.
Miguel Pinto – Membro da Diretoria da Associação ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay,
Bissexual e Transgénero
Mediação: Charles Narloch – Membro do Conselho Nacional de Política Cultural.
Local: Teatro Juarez Machado
Quanto: Gratuito

O quê: Palestra com Luiz Mott
Quando: Quinta, 4 de agosto de 2010 às 19:30
Quem:
Luiz Mott - Licenciado em Ciências Sociais pela USP, Mestre em Etnologia pela Sorbonne,
doutor em Antropologia pela Unicamp, professor titular aposentado do Departamento de
Antropologia da UFBa. Autor de 16 livros e mais de 200 artigos sobre Inquisição, Escravidão,
relações raciais, homossexualidade, direitos humanos, destacando-se Rosa Egipcíaca: Uma
Santa Africana no Brasil e Matei porque odeio gay. Fundador do Grupo Gay da Bahia, Centro
Baiano Anti-Aids e decano do Movimento Homossexual Brasileiro. Comendador da Ordem do
Rio Branco e do Mérito Cultural.
Mediação: MSc. Fernando Sossai – Prof. de História da Univille
Local: Teatro Juarez Machado
Quanto: Gratuito

O quê: Festival de Cinema Mix Brasil da Diversidade Sexual
Onde: Teatro Juarez Machado
Quanto: Gratuito
Filme: Meu amigo Cláudia (Brasil, 2009, 86 mim)
Quando: Sexta, 5 de agosto de 2010 às 19h30

Filme: Fucking Different São Paulo (Brasil\Alemanha, 2009, 97 mim)
Quando: Sexta, 5 de agosto de 2010 às 21h30

Filme: Mostra Competitiva Brasil
Quando: Sábado, 6 de agosto de 2010 às 16h30

Programa 1:
Maria de Kalú (Brasil (PB), 2009, 14 min)
Depois da Curva (Brasil (PE) x 2009 x 18 min)
A pensão dos carangueijos (Brasil (RJ), 2008, 16 min)
O menino japonês (Brasil (SP), 2009, 18 min)
Suspeito (Brasil (SP), 2009, 19 min)
Filme: Mostra Competitiva Brasil
Quando: Sábado, 6 de agosto de 2010 às 19h30

Programa 2:
Atlântico (Brasil (RJ)/Cuba, 2008, 12 min)
Na Madrugada (Brasil (RJ), 2009, 21 min)
Um pouco mais de eternidade (Brasil (SP), 2009, 19 min)
Preguiça (Brasil (RJ), 2009, 8 min)
Garoto de aluguel (Brasil (RJ), 2009, 19 min)
Professor Godoy (Brasil (SP), 2009, 14 min)
Filme: Pecado da Carne (Israel/ Alemanha/França, 2009, 91 min)

Quando: Sábado, 6 de agosto de 2010 às 21h30

O quê: Parada da Diversidade Joinville – Família Somos Todos
Quando: Domingo, 08 de agosto de 2010 às 14h
Concentração em frente ao Centreventos Cau Hansen. Abertura às 16h da passeata com
destino a Praça do Mercado Público Municipal. Apresentações artísticas na praça do Mercado
Público Municipal às 18h.
Quanto: Gratuito


Mais informações:
www.diversidadejoinville.com.br

quarta-feira, 16 de junho de 2010

1º Seminário sobre: Mudar o Transporte, Fazer a Cidade

A população de Joinville historicamente ficou em segundo plano na formação do transporte coletivo da cidade, durante quatro décadas o mesmo foi construído dentro dos interesses de políticos e empresários.

A Frente de Luta pelo Transporte Público convoca a população para debater junto dos movimentos sociais um novo caráter de transporte público, onde a população realmente poderá participar do debate a partir da visão dos usuários e seus interesses.

Visto que as alternativas propostas até o momento só contemplaram uma única visão de transporte, construída entre empresas e prefeitura, excluindo os movimentos sociais que constroem o debate político a cerca do tema.

PARTICIPE!

Frente de Luta Pelo Transporte Público

sábado, 5 de junho de 2010

O que é Tarifa Zero?


Tarifa zero é o meio mais prático e efetivo de assegurar o direito de ir e vir de toda população nas cidades. Essa idéia tem como fundamento o entendimento de que o transporte é um serviço público essencial, direito fundamental que assegura o acesso das pessoas aos demais direitos fundamentais, como a saúde e a educação.

Com o crescimento sem planejamento das cidades, o acesso à saúde, à educação, ao lazer, ao trabalho, entre tantos outros, ficou extremamente complicado, custando além de muito dinheiro, várias horas do nosso dia. Nas grandes cidades os deslocamentos são uma necessidade diária, pois sem eles a vida social ficaria inviabilizada.

Nos locais mais distantes dos grandes centros, o acesso aos direitos fundamentais só pode ser concretizado através do transporte coletivo. E para assegurar que o conjunto da população possa desfrutar desses direitos, o transporte precisa ser público e gratuito. Caso contrário, as pessoas que não tem dinheiro para pagar a tarifa não poderão chegar aos seus destinos e exercer os seus direitos.

A tarifa zero será feita através de um Fundo de Transportes, que utilizará recursos arrecadados em escala progressiva, ou seja: quem pode mais paga mais, quem pode menos paga menos, e quem não pode, não paga. Por exemplo: o IPTU de bancos, grandes empreendimentos, mansões, hotéis, resorts, shoppings etc., será aumentado proporcionalmente, para que os setores mais ricos das cidades contribuam de maneira adequada, distribuindo renda e garantindo a existência de um sistema de transportes verdadeiramente público, gratuito e de qualidade, acessível a toda a população, sem exclusão social.

saiba mais:

Tarifa Zero! A realidade possível

Quase vinte anos depois: entrevista de Lúcio Gregori cedida para Daniel Guimarães Tertschitsch, publicada em Carta Capital

Direito à cidade: mobilidade urbana e tarifa zero

Tarifa não precisa pagar custo do transporte

Projeto Tarifa Zero / Municipalização

Palestra de Lúcio Gregori no 3º Encontro Nacional do Movimento Passe Livre

Tarifa zero em Hasselt, Bélgica

A tarifa zero e a municipalização do transporte coletivo

Diálogos - entrevista em vídeo com Lúcio Gregori


fonte: http://tarifazero.org/tarifazero/

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A construção de uma ideia

por Bruno*

Percebi que a organização do MPL ia além de participar de atos em ocasião de aumento. Que ali, na verdade, estava sendo discutida uma proposta de transporte público para todos

Eram aproximadamente 19h do dia 9 de março de 2010. Joinville completava 159 anos de fundação e, como de costume, acontecia o desfile do aniversário da cidade. Na Avenida José Vieira uma fila enorme com várias entidades que participariam do evento. Entre elas, um grupo de estudantes e trabalhadores com panos tapando a boca e flores que seriam distribuídas ao público. Eles criticavam a postura “não democrática” do atual prefeito, por não terem o direito de se manifestar em frente ao palanque das autoridades. Do momento em que entraram no desfile até o final da avenida, seriam aproximadamente 850 metros de protesto. Enquanto caminhavam pela pista, aplausos ecoavam pelas ruas da região. Pouco se ouviu da leitura da carta que estava sendo declarada por um militante através do megafone e repetida pelos manifestantes. As palmas e gritos de parabenização abafavam a voz do “garoto” e o eco que o seguia. O prefeito, assim como outras autoridades, aplaudia também – ao menos tentava mostrar ao público, apesar das constantes ações de desrespeito, um apoio aos movimentos sociais. Um desses grupos, que há tempo fora vaiado e tratado como organizador de ideias ilegais, estava a poucos dias de completar seu quinto ano de existência em Joinville. Movimento jovem, mas que carregava – e ainda carrega – uma grande carga de lutas e debates, e que saiu do desprezo ao respeito.

O início

Dia 28 de março de 2005. No mesmo dia, uma cantora chamada Stefani Joanne Angelina Germanotta completava seus 19 anos. Meia década depois ela bateria recordes de visualização no site Youtube e seria considerada um ícone da música pop com o nome Lady Gaga. Ainda naquela segunda-feira, possíveis fãs do ator Peter Ustinov choravam o primeiro aniversário de sua morte. Quinhentos e setenta e quatro anos antes, em 1431, Thomas de Courcelles fazia a leitura dos 70 artigos da acusação de Joana d’Arc. Mas, certamente, para quatro jovens de Joinville, aquele final de março de 2005 seria marcado por outro motivo. Eles e mais alguns militantes de um movimento que há pouco fora criado em Florianópolis se reuniram em uma casa no bairro Guanabara. “Pelos meus cálculos, tudo indica que era dia 25 de março”, comenta um dos estudantes. Não importa a data que foi marcada na história, o importante é que naquele dia nascia um movimento que daria força às discussões sobre transporte coletivo na cidade: o Movimento Passe Livre Joinville.

Em 2003, em meio às manifestações contra o aumento da passagem de ônibus, um jovem chamado A., passando a notar com mais interesse os problemas sociais, começou a fazer parte da juventude de um partido político, Juventude Revolução, do PT, que até então era considerado de esquerda. Seu interesse pela mudança continuou e logo em seguida fundou, com outros alunos, um grêmio estudantil no colégio onde estudava. A principal bandeira que carregava era a do “passe livre estudantil”. Em 2004, aproximadamente 400 estudantes foram às ruas, dessa vez pedindo o passe livre. Não muito longe, em Florianópolis, um movimento estudantil e popular conseguiu barrar o aumento do transporte coletivo, num ato conhecido como “Revolta da Catraca”. A principal organização que contribuiu para isso foi a JRI - Juventude Revolução Independente -, uma cisão do movimento do qual A. fazia parte. O estudante começou a se interessar pelo movimento que estava acontecendo em Florianópolis. Entrou em contato com B., um dos principais líderes da JRI. Conversas através da internet trouxeram mais dúvidas ao estudante e o fizeram perceber a falência das organizações em Joinville.

Após o afastamento do PT, o estudante se aproximou mais do movimento de Florianópolis e convidou B. e outros militantes para discutirem o movimento em Joinville. Encontraram-se em frente à Prefeitura e de carro seguiram até a casa onde seria a reunião. Registros dizem que era dia 28 de março de 2005. A. acredita que era dia 25. “Lembro que era sexta-feira santa, pois comemos peixe”, comenta. Depois do almoço, A., dois amigos e seu irmão iniciaram a conversa sobre o movimento. Naquele dia, criou-se um pré-núcleo do Movimento Passe Livre na cidade.

Em suas anotações, A. descreveu o dia:

“…camaradas de Florianópolis B., C. e D. vieram até Joinville por saberem dos andamentos das questões sobre o Passe Livre em minha cidade. Passei um dia agradável numa discussão com os camaradas do MPL, mais o E., o F. e o G. Conversamos sobre a expulsão da JR, tanto minha quanto de B., e dos andamentos da campanha. E. e eu resolvemos prolongar as discussões na JR de Joinville, esclarecendo nossa divergência e depois disso formaríamos o MPL Joinville. Para tanto os camaradas de Florianópolis nos forneceram apoio. Esse dia foi, talvez, o dia do nascimento de um movimento sem precedentes em Joinville.”

Pergunto qual o embasamento teórico que tinham para discutir o transporte. A. responde sem duvidar: “Nosso embasamento era muito precário. Não tínhamos uma visão do conjunto da cidade, a importância mais geral do transporte. O que nos limitava na nossa perspectiva, inclusive. Basicamente, o MPL consistia em lutar pela aplicação da constituição brasileira no que diz respeito à garantia do direito a transporte ao jovem em idade escolar. Ampliávamos o conceito agregando a ideia de cultura e lazer também. Mas basicamente era isso”. Naquela época, o movimento lutava apenas pelo passe livre estudantil. De lá pra cá, o hoje estudante do curso de Filosofia, da UFPR, amadureceu muito, com a ajuda da experiência na militância.

Atualmente, morando em Curitiba, A. não faz mais parte do movimento. Sentiu uma “limitação” do movimento em discutir apenas um assunto. Hoje faz parte de outro partido político, o PSOL, “não como substituto do movimento social, mas como organização específica capaz de encaminhar outras lutas e ter um acúmulo estratégico, do futuro, o qual o movimento social, via de regra, não tem”.

Apesar de não estar ativo no movimento, reconhece seu valor. Percebe também o quanto a população e as autoridades respeitam. A. lembra de um momento, quando o jornal A Notícia publicou uma matéria com o título: “Passe Livre é inconstitucional”. Isso gerou revolta nos estudantes, que foram à Câmara de Vereadores, pois a matéria referia-se ao arquivamento de uma lei do Passe Livre. No entanto, nas eleições municipais de 2008, o Passe Livre passou a ser proposta de campanha de alguns candidatos. De ilegal para proposta de campanha. “É um avanço. Pense-se o que quiser. Mostra que há uma hegemonia da ideia, de um grupo pequeno de pessoas ela passou, através de movimentos contínuos, a convencer outros setores sociais, inclusive setores do establishment político. E não só isso: o ‘pessoal’ do Passe Livre é reconhecido como lutador, o que também traz respeito, como uma juventude não conformada. É uma visão que acredito que muita gente compartilhe, vide o desfile de 9 de março”, completa.

Ameaças e Perseguições

No dia 26 de novembro de 2005 aconteceu o dia nacional de luta pelo passe livre. O MPL de Joinville organizou um ato na Praça da Bandeira. Os estudantes seguiram até à Câmara de Vereadores. Lá, a Polícia Militar tentou evitar a entrada dos manifestantes. Não adiantou. “Entramos na Câmara. Os dias seguintes foram de pavor. Homens à paisana passaram a perseguir militantes do movimento. As ameaças chegavam via telefone, nas casas, e ocorreram perseguições nos caminhos de casa, até à escola ou universidade. Felizmente, nos mostramos fortes e resistimos, inclusive com o apoio da H., advogada do Movimento Nacional de Direitos Humanos”. Relato feito a mim por I., que na época era estudante e hoje é professor de História. O militante chegou a ter que ficar um tempo afastado do movimento. Segundo ele, ficou sabendo, através de um dos seguranças que são contratados pelas empresas de ônibus, que eles haviam sidos contratados para agredi-lo. “Felizmente esse segurança era próximo de um grande amigo, que acabou relatando o caso”. Para I., ameaças e perseguições são ações comuns adotadas por quem “deseja manter a exploração na cidade”. “É a saída do desespero de quem pretende proteger o seu capital, nem que seja proteção do capital feito com a restrição do direito de ir e vir na cidade”, completa. Para ele, as ameaças só acabarão quando o transporte coletivo for realmente público e o controle for feito por quem faz a cidade. “Não faço referências aos empresários e à classe política, falo das pessoas”.

I. entrou no Movimento Passe Livre logo no início, e convidou alguns amigos da Faculdade. Antes, já participava da luta contra os aumentos da passagem de ônibus nos anos anteriores. Isso na época em que fazia parte do Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi, do curso de História da Univille. Mas, segundo ele, sua visão crítica já vinha de antes. No início da adolecência, envolvido com culturas urbanas, uma delas o punk, começou a questionar as contradições políticas, econômicas, culturais e sociais “alimentadas pelo Estado e pelo capitalismo”.

Em dezembro de 2001, já trabalhando na fábrica CIPLA, deixou de receber o décimo terceiro, assim como outros trabalhadores, o que acarretou em uma greve espontânea em janeiro do ano seguinte. Sem o envolvimento do Sindicato dos Plásticos, 79 trabalhadores grevistas foram demitidos. I. foi um deles. Depois disso o sindicato “acordou”, corruptos foram expulsos e, com apoio de setores do PT, iniciou-se uma nova luta no final de 2002. “Mesmo não trabalhando mais na empresa, sem manter qualquer ligação ideológica a corrente interna do PT e não olhar com bons olhos a direção sindical, estive envolvido no processo de construção de uma nova greve e prestando solidariedade aos trabalhadores da CIPLA. Eu lia muita coisa dos sindicalistas revolucionários do IWW [Industrial Workers of the World, uma organização anarco-sindicalista especialmente forte nos Estados Unidos no primeiro quartel do século XX]. Lá se dizia que quando um trabalhador estiver sendo explorado, todos os demais deverão prestar solidariedade”, explica o militante.

O resultado foi a vitória dos trabalhadores, passando o controle da fábrica para os operários. “No transcorrer ocorreram diferentes descaminhos. A ‘direção’ passou a seguir para onde queria. Nisso tudo, a lição foi perceber o poder da classe trabalhadora, servindo como um dos marcos da minha vida, potencializando a importância da dedicação às lutas sociais”.

Hoje, I. não faz mais parte do movimento, mesmo acreditando nos seus ideais. Pergunto sobre seu amadurecimento. O professor responde que quando entrou no MPL, tinha uma visão individual sobre os problemas da cidade. Debatendo com outras pessoas, abriu seu horizonte e conheceu novas realidades. Também aprendeu a “falar em público, discutir sem a grosseria. Não era muito aberto a ouvir ideias diferentes. Ali foi preciso aprender”.

I. sente que nos últimos três anos o movimento começou a ser mais respeitado. “Éramos taxados como jovens estudantes, mimados e bem alimentados. Ao menos é o que lembro nas falas dos famigerados e podres Beto Gebaille, Luis Veríssimo e bobinho Neves”. O historiador ressalta ainda a resistência que existia da população com a ideia de Passe Livre. “Felizmente, essa configuração se alterou”, comemora.

Hoje

O Movimento Passe Livre Joinville, hoje, não luta apenas pela gratuidade aos estudantes, mas para toda população. Segue-se a linha de pensamento do projeto Tarifa Zero, que foi implementado em um bairro de São Paulo pelo então secretário dos Transportes, Lúcio Gregori, na gestão municipal da ex-prefeita Luiza Erundina (1989-1992). O pensamento é utilizar um imposto, onde o mais rico paga mais, o mais pobre paga menos e os que não tiverem condições não pagam. Assim, o transporte não precisaria ser pago apenas pelos usuários, mas por toda sociedade – assim como a saúde e a educação. Mesmo dando certo, o Tarifa Zero caiu. Os governos posteriores acabaram com o projeto.

Nesse sentido, J., conhecido como K., militante do movimento, acredita que houve um grande amadurecimento. “Amadurecemos desde nossa organização interna até nossas táticas de luta nas ruas. Também hoje pensamos uma proposta de transporte para a cidade, bem fundamentada e estruturada”, explica. O MPL também defende a participação dos usuários na administração do transporte coletivo. “Afinal, são essas pessoas que usam o transporte diariamente, nada mais justo que elas opinarem sobre o funcionamento da empresa responsável por isso”.

Hoje, é fundamental em toda discussão sobre transporte público a presença do Movimento Passe Livre. “Eu acho que o MPL tem uma característica muito interessante: a visão de usuários sobre o transporte”, comenta. “No meu ponto de vista isso é o que mais deveria ter peso nessa discussão”. Mas K. entende que tem passageiros que não têm a mesma visão que eles. “Estamos aqui para debater e construir um transporte coletivo melhor. Os apoios que recebemos fazem-nos crer que estamos caminhando para a direção certa”.

Questionado sobre ser um sonhador, o militante foi direto: “Não, não sou. Sou um realista. Temos um problema real no transporte coletivo e estamos lutando e propondo uma solução real para essa dificuldade. Sonhador e idealista, para mim, é quem acredita que o transporte pode continuar como está”.

K. é um dos militantes mais antigos no movimento. Percebeu o amadurecimento de perto. No dia 9 de março deste ano percebeu que as pessoas que aplaudiam o movimento, no momento do desfile, nada mais estavam fazendo que aplaudindo seus próprios ideais. “Isso, no meu ver, é reflexo de que o movimento está realmente do lado da população e ela percebe isso”. O estudante de design sentiu um entusiasmo ao ver o público aplaudindo no momento das falas. “Significa que estamos acertando a mão”. Para ele, esse respeito que “cresce a cada dia” é fruto de um trabalho do ano inteiro. “As palestras, panfletagens, mostras de vídeos. Existe um trabalho de base para que as pessoas entendam o movimento e lutem pelos seus direitos”.

O militante vê dois motivos para esse crescimento: “Primeiro, o fato de ter mostrado que o movimento existe e luta pelos direitos da população, independente do partido que está no governo. O segundo motivo é que o movimento conseguiu ‘abrir’ um diálogo na sociedade, sobre pautas ligadas ao transporte público”. K. lembra de um tempo em que eram tratados como “vândalos” e “baderneiros”. Inclusive, como resposta, criaram o canto: “Não sou baderneiro. Eu só não quero que roubem meu dinheiro”.

Novos Membros

Metade de 2009. A passagem havia subido para R$ 2,30. Manifestantes ocuparam as ruas, como sinal de protesto. Eles reivindicavam que o aumento do passe fosse revogado. Segundo representantes da própria Prefeitura, não existia fiscalização sobre os valores apresentados pela planilha de custos das empresas de ônibus. Duas estudantes secundaristas passavam pelo terminal central e perceberam uma movimentação. Era a Frente de Luta pelo Transporte Público, da qual o Movimento Passe Livre fazia parte. As duas decidiram “ver o que tava rolando”. Percebendo o motivo, entraram junto no protesto. Uma delas era L.

“Senti-me um pouco insegura nos primeiros momentos, porque nunca tinha participado de nada desse tipo, mas sabia que estava fazendo o certo”, fala a estudante. Mas isso só no começo. L. continuou a participar das manifestações e logo se aprofundou nos debates em torno do Passe Livre. Começou a participar das reuniões do MPL e sentiu o que lera dos princípios do movimento e entendeu que a luta era extremamente coerente. “Aí nasceu”, diz ela, “minha vontade de reivindicar por um transporte público, de qualidade, gratuito e inclusivo”.

Logo no início já se envolveu diretamente. Começou a fazer panfletos e cartazes de divulgação dos atos que estavam acontecendo, ajudando assim na organização do movimento. “Isso foi quando passou o alvoroço da ocupação da Câmara de Vereadores. Aí fui perceber que a organização do MPL ia além de participar de atos em ocasião de aumento. Que ali, na verdade, estava sendo discutida uma proposta de transporte público para todos”.

Decidi questioná-la sobre seu “sonho”. Talvez, novata, pudesse contradizer-se na argumentação; mas não, respondeu bonito: “Não me sinto uma sonhadora. Sei que a luta é justa, é coerente e é possível conseguir melhoras fundamentais no transporte coletivo por meio da organização. Se militar e protestar não fizessem diferença, não seria necessário escolta policial, não precisaria de repressão, a Prefeitura não nos chamaria para reunião”.

No dia 9 de março, L. foi, pela primeira vez, desfilar no aniversário da cidade, mas como protesto. No começo, sentiu receio, não sabia como ia se comportar a população. “Fiquei com medo que as milhares de pessoas que estavam vendo o desfile não aprovassem o nosso ato”, confessa. Ela se surpreendeu ao perceber que quanto mais próximo do palanque chegavam, mais fortes eram as palmas. “Arrepiei-me toda. A emoção foi muito grande. Era como se estivessem agradecendo pela militância, e ao mesmo tempo como se a gente estivesse representando todos eles naquele momento”. Nesse momento, a estudante conseguiu uma prova concreta de que estava lutando por um ideal de todos aqueles que “agradeciam” o ato.

Mesmo estando há menos de um ano no movimento, L. tem convicção de que os ideais do Movimento Passe Livre são coerentes e que é possível fazer mudanças no transporte coletivo. “Percebo que a cada dia a discussão evolui e aprendo muito”, fala. Não só no assunto sobre transporte foi o amadurecimento da garota. Depois que começou a militar no MPL, sua visão política se modificou e se ampliou muito. L. diz que várias vezes se pega tentando analisar outras questões da sociedade, como analisa o transporte coletivo através do Movimento Passe Livre. “Passei a me ligar mais em política e prestar atenção em outros movimentos sociais. Senti-me à vontade para participar de outras coisas, até tentei organizar um grêmio na escola em que eu estudava”. Além do mais, segundo ela, aprendeu a ouvir mais o que as pessoas têm a dizer. Começou a pensar em grupo. “Tornei-me menos egoísta”, explica. “Logo depois que passei por tudo isso. Percebi que meus atos e minha consciência são muito importantes e acabei me tornando vegetariana”, conta L., ao ligar o fato do bem estar humano e o bem estar animal.

“Quem estiver interessado em conhecer o movimento, entre em contato no orkut, blog ou twitter”. Todo mês é feita uma reunião para novos membros, onde é apresentado o movimento, suas lutas e seus ideais.

[*] Do Movimento Passe Livre de Joinville.

Retirado de http://passapalavra.info/?p=24351

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Nota de Apoio a Luta Contra o Aumento na Passagem em Florianópolis

A luta para barrar o modelo privado de transporte coletivo está em diferentes cidades brasileiras, especificamente pelo entendimento de que não é possível condicionar o direito de ir e vir à lógica de mercado, quando grupos empresariais e familiares determinam o funcionamento da cidade.

Joinville está inserida no contexto apresentado, aproximando a nossa realidade com Florianópolis. Quando nos colocamos nas ruas para lutar pacificamente, a polícia exerce o papel de repressão e criminalização, o que mais uma vez está ocorrendo, mas em contornos gravíssimos e arbitrários.

Chegamos à conclusão quando nas últimas três semanas de luta contra o aumento na tarifa do transporte coletivo da capital catarinense, a polícia executou a prisão de 25 manifestantes, já liberados, quando dois destes tiveram que pagar R$ 800,00 de fiança, e a utilização de cassetetes de maneira violenta e do equipamento de choque identificado por Taser, o que lembra um moderno pau-de-arara portátil.

Levando todo o contexto apresentado, nós, da Frente de Luta pelo Transporte Público de Joinville, solicitamos ao Ministério Público de Santa Catarina, ao Governo do Estado de Santa Catarina, ao comando da Polícia Militar de Santa Catarina, Assembleia Legislativa do Estado e, principalmente, a todas as pessoas do Estado de Santa Catarina, que reproduzem notas de repúdio e debates em todos os espaços possíveis a postura adotada pela Polícia Militar de Santa Catarina.

Toda solidariedade ao povo de Floripa!

Contra a repressão policial e empresarial!

Pelo fim da exploração privada no direito de ir e vir!

FRENTE DE LUTA PELO TRANSPORTE PÚBLICO.
http://barraroaumento.blogspot.com/


Apóiam a carta:

Movimento Passe Livre – Joinville

Comitê de Apoio aos Movimentos Sociais – Joinville

Centro Acadêmico Livre de História Eunaldo Verdi - CALHEV

Centro Acadêmico de Letras Alcides Buss – CALABuss

Centro Acadêmico de Engenharia Química – ENGETEQ

Centro Acadêmico de Biologia – CABIO

Centro Acadêmico de Administração de Empresas – CAAD

Centro Acadêmico de Educação Física – CAEF

Centro Acadêmico de Odontologia – CAO

Centro Acadêmico de Medicina – CAM

Centro Acadêmico de Fármacia –CAF

Centro Acadêmico de Geografia – CAGEO

Centro Acadêmico de Engenharia Ambiental – CAEA

União da Juventude Socialista de Joinville – UJS

Diretório Central dos Estudantes - DCE - UNIVILLE

Diretório Acadêmico Cruz e Souza - DACS

Pró-Coletivo Anarquista Organizado de Joinville - Pró-CAO

Partido Socialismo e Liberdade de Joinville - PSOL

Joinville, 02 de junho de 2010.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Quarta Semana de Protestos em Florianópolis



Florianópolis entra na quarta semana de intensas manifestações contra o aumento nas passagens de ônibus. Com o reajuste a passagem na ilha ficou em R$2,95. Vale lembrar que o sistema não é totalmente interligado.
Esse ano além de grandes manifestações com cerca de 7 mil pessoas nas ruas, o manifestantes estão inovando com: atos descentralizados, bicicletadas, atos-videos entre outras formas de manifestações.
Para quem quiser conferir, segue alguns links:

Sítio da Frente de Luta pelo Transporte Público - Florianópolis
http://www.fltcfloripa.libertar.org/

Twitter das atividades da Frente
http://twitter.com/lataofloripa

Cobertura no Tarifa Zero
http://tarifazero.org/

DOSSIÊ Passa Palavra: Luta contra o aumento das tarifas do transporte - Florianópolis (2010)
http://passapalavra.info/?p=23394

Sítio do MPL Florianópolis
http://mplfloripa.blogspot.com/


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sábado para novos membros

Sábado (29) é o dia dos novos membros no Movimento Passe Livre Joinville. A reunião acontecerá no Centro de Direitos Humanos, às 15 horas. Mensalmente o MPL abre um espaço especial para conversa com pessoas interessadas em discutir o transporte coletivo na cidade, mas que não fazem parte do movimento. O objetivo é agregar mais militantes e ideias ao grupo. Esses debates são fundamentais para o fortalecimento do movimento. Participe. PASSE LIVRE JÁ!

Reunião de Novos Membros
Quando: 29/05/2010 (Sábado), às 15 horas
Onde: Centro de Direitos Humanos - CDH (R: Dr. Plácido Olímpio de Oliveira, 660, Bucarein - em frente à boate Ivyx)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Algumas opiniões críticas sobre o sistema de transporte de Bogotá “Transmilenio”*

Texto feito pelo Pró-Coletivo Anarquita Organizado (Pró-CAO) e publicado em pró-cao.blogspot.com.

Algumas opiniões críticas sobre o sistema de transporte de Bogotá “Transmilenio”*


Muito se tem falado das vantagens/benefícios do sistema de transporte “Transmilenio” de Bogotá, ressaltando sua eficiência, sua administração exemplar, sua pontualidade nos serviços, sua rapidez e grande contribuição à circulação dos mais de 8 milhões de pessoas que vivem na capital colombiana. Contudo, estas são meias verdades, dado que os grandes meios de comunicação em nível nacional e internacional não mostram alguns pontos críticos deste sistema, tais como:
  • Transmilenio foi criada mediante o Acordo 4/1999, através do qual se autorizou à administração a construir uma sociedade anônima de caráter/fim/ânimo comercial com financiamento de entidades públicas distritais. O projeto inicial definia que a infra-estrutura seria construída e mantida pelo Estado, enquanto que a operação e prestação do serviço de transporte coletivo estaria a cargo de empresas privadas de transporte. Ou seja, é um sistema onde o Estado constrói a infra-estrutura com os impostos de todos os cidadãos, para que o interesse privado (representado em certos grupos investidores) obtenham todos os lucros. É um de esses casos onde os governos fazem todo o possível para dar facilidades ao capital (neste caso nacional e estrangeiro) para que venha aos nossos países, invistam e levem todos os lucros fruto da prestação de um serviço público, como é o de transporte.
  • Como o fim dos investidores que estão atrás do sistema Transmilenio é aumentar ao máximo seus benefícios econômicos, o sistema mantém uma tarifa única para toda a população (1.600 pesos colombianos para o ano 2010, algo como R$1,5), sem oferecer descontos a estudantes, pessoas com deficiência o idosos; o que o converte em um sistema excludente para aquelas pessoas que não têm a capacidade de pagar a totalidade da viagem. Isto resultou que muitos estudantes (que não tem renda para pagar uma tarifa tão cara) preferiram ingressar no sistema Transmilenio de forma ilegal, colocando em risco suas próprias vidas. O caso mais recente se apresentou no dia 15 de abril de 2010, quando dois estudantes de um colégio morreram depois de ser atropelados por um ônibus da Transmilenio quando tentavam ingressar o sistema sem pagar. Casos como este se repetem todos os dias.
  • O sistema Transmilenio – que projeta monopolizar todo o transporte público de Bogotá – não consegue satisfazer plenamente a grande demanda que exige uma cidade destas dimensões. Por isso que o sistema entra em colapso, que o número de ônibus seja insuficiente e que a grande quantidade de pessoas se aglomeram nas estações.
  • Uma das principais críticas apontadas a este sistema é que oferece um serviço altamente incômodo a seus usuários, já que a quantidade de usuários é tão grande (como também a avareza de seus investidores) que enchem ao máximo os ônibus em cada uma de suas viagens. Isso têm gerado problemas de insegurança dentro dos próprios ônibus e situações de desconforto para pessoas que viajam com crianças, para deficientes físicos e idosos.
  • Em função de que o sistema Transmilenio tem aumentado sua renda depois de atender a milhares e milhares de pessoas todos os dias, todo o dia, as tarifas do serviço aumentam arbitrariamente sem nenhuma argumentação sólida por parte da administração e as diretivas.
  • Devido à alta velocidade na qual viajam os ônibus do sistema Transmilenio (por ter uma pista própria para sua circulação) constantemente se apresentam acidentes de trânsito com outros ônibus do sistema, com veículos particulares ou se atropelam pedestres desprevenidos.
  • Por último, é importante mencionar a contribuição de Transmilenio aos processos de contaminação atmosférica, ao utilizar motores a diesel. A quantidade de ônibus utilizados, somado à extensão do Transmilenio às principais vias da cidade fazem com que aumente a quantidade de partículas (PPM) e gases emitidos por fontes móveis.

Estas são algumas das observações críticas que podemos fazer ao sistema Transmilenio de Bogotá e que queremos compartilhar com os companheiros e companheiras libertários de Joinville (Brasil), os quais tem realizado importantes lutas por um sistema de transporte mais justo, público, gratuito e inclusivo para o total da população.


Bogotá, 21 de abril de 2010
Centro de Investigación Libertaria y Educación Popular - CILEP**


[*] O Pró-CAO estabeleceu contato com o Centro de Investigación Libertaria y Educación Popular, da Colômbia, que possibilitou o conhecimento inicial sobre o transporte coletivo realizado em Bogotá. Os empresários da Gidion e Transtusa ao lado da Prefeitura Municipal de Joinville estão fazendo a defesa do modelo da “Transmilenio”. A publicação de relato é uma contribuição com a luta por um transporte público, grautito e de qualidade. Leia nossa Carta Aberta sobre o aumento da tarifa de ônibus.
[**] El CILEP (Centro de Investigación Libertaria y Educación Popular) es un proyecto que, a través de la investigación militante y la educación popular, pretende ofrecer herramientas de análisis y comprensión de nuestra realidad para impulsar y potenciar formas organizativas libertarias en el país. www.cilep.net


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