quarta-feira, 21 de junho de 2017

Há quatro anos, 100 cidades barravam o aumento de tarifa no Brasil


Hoje, 20 de junho de 2017. Há quatro anos o Brasil vivia um momento histórico. Somando as manifestações em todo o país, 1,25 milhões de pessoas foram às ruas em 20 de junho de 2013. Durante todo o mês, milhares de pessoas ocuparam ruas, ônibus e terminais contra os aumentos de tarifas, contra os ataque das Máfias do Transporte e reivindicaram um transporte coletivo com qualidade.
As Jornadas de Junho, como ficou conhecida, foi uma das maiores vitórias da população de baixo. Mais de 100 cidades barraram o aumento de tarifa[1] e a pauta do transporte entrou de fato nas discussões de toda população. Se até então os debates sobre ônibus sem catracas, redução de tarifas e tarifa zero[2] eram desconhecidas ou vistas como “loucura”, as Jornadas de Junho quebraram essas correntes. Hoje, tanto as pautas do transporte coletivo fora das empresas privadas, como o Movimento Passe Livre (MPL) são conhecidos e debatidos em todo país.
Mas especialmente o dia 20 de junho de 2013 é um dia marcante para os/as que lutam. Em São Paulo, maior cidade do Brasil, o ato foi em comemoração ao congelamento da tarifa, realizado pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT), ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), um dia antes, em 19 de junho. Em Joinville no mesmo mês, mais de 20 mil pessoas foram às ruas contra as tarifas. Em outra manifestação, centenas de pessoas caminharam até a sede da Transtusa, que neste dia, teve a fachada protegida por cordões da Polícia Militar (PM). Com muita repressão policial em todas as cidades, no Rio de Janeiro o fato mais inacreditável. No mesmo 20 de junho de 2013, Rafael Braga, preto e pobre, era preso e meses depois condenado a 11 anos de prisão por portar pinho sol, que segundo a PM, algo criminoso para se carregar ao caminhar em vias públicas.
Quatro anos depois, a criminalização não parou, pelo contrário, continua tão viva quanto a luta. Hoje, 20 de junho de 2017, seis pessoas do Bloco de Lutas pelo Transporte Público de Porto Alegre serão julgadas por supostos atos de crime nas manifestações de Junho de 2013. Julgados por estarem na luta. Julgadas por quem nunca esteve, mas que tem o poder de estarem em ganfrinos gabinetes - e provavelmente em carros com temperatura agradável regulada pelo ar condicionado -.
Diferente de alguns setores políticos - inclusive de esquerda -, o MPL - Joinville não vê as Jornadas de Junho como um início ou motivo para o avanço da direita, aval para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ou que aquelas foram manifestações desorganizadas ou sem pauta definida. Para isso, nos baseamos nas chamadas para os atos, as faixas de frente dos atos, cantos, falas e catracaços. Todos, voltados para um tema: contra o aumento de tarifa. Não por menos, 100 cidades barraram os aumentos de tarifa. Outra conquista fundamental para a luta pelo transporte pós-Jornadas de Junho é a aprovação da PEC 74/2013[3], que coloca o transporte coletivo como direito social na Constituição Federal, aprovado em dezembro de 2013 no Senado[4].
Pensamos, claro, que é indiscutível que em certo momento as pautas foram aumentando e muitos atos se tornaram genéricos. Isso, massificada pós-redução das tarifa nas 100 cidades. Porém, aqui fazemos uma reflexão sobre o poder e distorção do caráter dos atos que os grandes meios de comunicação podem fazer. Por vezes, as grandes mídias - que pela televisão chegam em 95% das casas brasileiras - intensificaram as chamadas dizendo que as manifestações eram contra a corrupção ou contra a PEC 37, em vez de citar a luta contra o aumento de tarifa. Nesse caso ou em qualquer outro, o enfrentamento contra as empresas de notícias para manter a pauta é um trabalho árduo e duro, dobrando a dificuldade quando se está num período de manifestações. Mesmo assim, com os trabalhos de base e utilizando a internet - que chega em 58% do lares -, pensamos que o caráter das manifestações em que o MPL convocou eram claros e possível de se entender o real objetivo, sendo este a “guerra contra o aumento da tarifa”.
Mas para além disso, também preferimos ficar com alguns outros momentos e vitórias históricas para os/as de baixo conquistados depois das Jornadas de Junho de 2013. Várias lutas foram realizadas inspiradas nas ideias de organização horizontal, autônoma e apartidária, esses mesmos princípios realizados pelo MPL desde sua fundação em 2005. Ou seja, se alguns setores preferem afirmar que o Movimento Passe Livre deu aval para setores reacionários, nós preferimos ficar com a Revolta dos Garis no Rio de Janeiro[5], em 2015; com a luta por luz e água em Guiné-Bissau[6] e com as ocupações das escolas em todo o país em 2015 e 2016.
As Jornadas de Junho de 2013 não “aconteceram do nada”. Para ser o que foi, para que centenas de milhões de pessoas fossem às ruas contra o aumento de tarifa e por um transporte coletivo de qualidade, foram oito anos de muito trabalho de base em escolas, universidades, bairros, diálogos com outros movimentos sociais, com setores da educação, saúde etc. Incansáveis discussões com estudantes e trabalhadores.
Quatro anos se passaram e a luta continua viva, as catracas continuam sendo puladas. Portanto, a luta e o Movimento Passe Livre não param, assim como as Jornadas de Junho vivem. O MPL ainda está por aí, nos bairros, escolas, ocupações e incansavelmente enfrentando as monstruosas Máfias do Busão, e junto à população, mostrando que andar de ônibus sem catracas e sem tarifas é possível[7].

Outras jornadas de lutas contra as tarifas virão. A Tarifa Zero será pra geral![8]

LIBERDADE PARA RAFAEL BRAGA!
PROTESTO NÃO É CRIME! SÓ A LUTA MUDA A VIDA!
TARIFA ZERO QUANDO? TARIFA ZERO JÁ! POR UMA VIDA SEM CATRACAS!

Notas:

[1] Veja em quais cidades houve redução da tarifa do transporte em 2013, disponível em: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/07/veja-em-quais-cidades-houve-reducao-da-tarifa-do-transporte-em-2013.html

[2] O que é tarifa zero?, disponível em: http://mpljoinville.blogspot.com.br/2010/06/o-que-e-tarifa-zero.htm

[3] PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO nº 74, de 2013, disponível em: http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/115729

[4] Transporte passa a ser direito social na Constituição, disponível em: http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/09/09/transporte-passa-a-ser-direito-social-na-constituicao

[5] Nova vitória de garis do Rio de Janeiro mantém viva a ‘revolução laranja’, disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/21/politica/1426969477_916839.html

[6] Guiné-Bissau: uma luta por luz e água, disponível em: http://passapalavra.info/2014/08/98833

[7] Maricá, a cidade do passe livre, disponível em: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/marica-a-cidade-do-passe-livre-4100.html

[8] Tarifa zero e mobilização popular | Lúcio Gregori e Paulo Arantes, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QyPBUDlV4d4

domingo, 8 de janeiro de 2017

Gráfico mostra que os aumentos de tarifa continuam acima da inflação

(clique na imagem para lê-la no detalhe)
O Movimento Passe Livre (MPL) Joinville atualizou o gráfico mostrando a evolução do aumento de tarifa de 1996 a 2017, junto, dados sobre o aumento da inflação no mesmo período, já que esta é uma das principais justificativas da Prefeitura, Gidion e Transtusa para aumentar as tarifas de ônibus na cidade.

O gráfico expõe o que já falamos a muito tempo, a tarifa sempre sobe acima da inflação. Nos últimos 21 anos, a inflação teve um aumento de 292%, enquanto a tarifa teve um aumento de 567%. 

Boa parte das justificativas para o aumento de tarifa é que o índice inflacionário deve ser recomposto. Porém, se a tarifa seguisse de fato a inflação seu preço seria em torno de R$2,36

Se os salários – em tese – acompanham a inflação, a tarifa de ônibus a ultrapassa em muito, tornando-se um encargo significativo para as famílias brasileiras. Como já postado anteriormente neste blog, o transporte chega a consumir mais de 20% do orçamento dos brasileiros. Desse modo, se pratica uma tarifa antissocial, fazendo do transporte um artigo de luxo e excluindo milhões de pessoas desse serviço (segundo o IBGE, cerca de 37 milhões de pessoas são excluídas do transporte coletivo por não poderem pagar). Isso significa que o direito à cidade, ao lazer, à saúde, à educação são vedados a milhares de pessoas.

Precisamos destacar também o absurdo que se inicia a partir de 2001, com a criação da "tarifa embarcada". Em Joinville, o usuário de ônibus precisa pagar uma "multa" caso não tenha a passagem já comprada para entrar no veículo. Isso se deve ao fato das empresas Gidion e Transtusa terem excluídos os cobradores; o que deixa o caso ainda pior, pois a empresa demitiu vários trabalhadores, sendo assim, cortando custos, e mesmo assim aumentou as tarifas em todos os anos seguintes.

Além disso, os/as atuais motoristas são obrigados a fazerem de duas a três funções: motoristas, cobradores e por vezes até precisam limpar os veículos após as viagens. Precisamos entender que a luta contra a Máfia do Busão não é só de quem usa o transporte coletivo, mas também dos/das trabalhadores/as que são explorados pela Gidion e Transtusa.

O MPL não lança mão apenas de dados, apontamos também a causa do problema do transporte: o transporte estar sob poder da iniciativa privada, ser um objeto de lucro, um meio de enriquecimento de meia-dúzia de empresários e empobrecimento do grosso da populaçãoÉ por isso que além de qualquer debate sobre uma tarifa maior ou menor, justa ou injusta, o MPL propõe a revisão completa do atual modelo tarifário e de gestão do transporte – por um transporte fora da iniciativa privada, público e com participação popular.

Em tempo: a despeito do truque barato de ilusionismo de Udo Dohler em aumentar a tarifa em R$0,30 centavos, os problemas do transporte permanecem. Por exemplo, exclusão de mais pessoas do transporte coletivo, mais engarrafamento e acidentes e mortes no trânsito. A ação de Udo Dohler tem que ser vista naquilo que realmente é: puro diversionismo para aumentar a tarifa, de fato, em trinta centavos e conseguir legitimidade para mais um passo na ampliação da desigualdade sócio-espacial em Joinville. A luta pelo transporte público permanece, isso porque nossa luta é contra todo aumento de tarifa, grande ou pequeno, e, mais ainda, contra toda e qualquer tarifa e/ou catracas. 

O índice utilizado para se medir a inflação é o INPC, que segundo o site do IPEA acompanha a evolução dos preços de “9 grupos: 1. Alimentação e bebidas; 2. Habitação; 3. Artigos de residência; 4. Vestuário; 5. Transportes; 6. Saúde e cuidados pessoais; 7. Despesas pessoais; 8. Educação, leitura e papelaria; 9. Comunicação”.

O transporte coletivo privado é um fracasso


(clique na imagem para lê-la no detalhe)

Neste outro gráfico, é possível ver o quanto esse modelo transporte coletivo tarifário - na mãos de empresas privadas, é fracassado. 

Entre os anos 2000 e 2015, a população de Joinville teve um aumento quase 133 mil habitantes, enquanto o transporte coletivo perdeu 24 mil passageiros. A lógica e a conclusão são óbvias, o transporte coletivo na mão de empresas privadas não agrada e não é atraente para a população. Além de uma das tarifas mais caras do país, hoje os cidadãos de Joinville precisam andar em ônibus lotados, com horários escassos, desconforto, etc.

A Tarifa Zero não é só possível, mas como há ótimos exemplos, como em Hasselt, na Bélgica. Após a introdução da política de tarifa zero, o uso do transporte público aumentou imediatamente e se manteve alto, sendo, hoje, dez vezes maior se comparado ao período anterior. O site oficial de Hasselt registra o crescimento da seguinte forma:





Por garantir acesso à tarifa zero no transporte público, o site de notícias http://gva.be descreveu o cartão de identidade dos habitantes de Hasselt da seguinte forma: “vale como ouro”.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A quem agrada o transporte coletivo com catracas?

Terminamos 2016 com uma certeza: a população de Joinville já não suporta mais a Máfia do Busão. Longa espera para passar a linha, lotação de ônibus, veículo em péssimo estado e o pior: precisamos pagar por isso e ainda passar por uma catraca.
No "espaço do leitor" desta semana, no jornal Notícias do Dia, os usuários de ônibus comentaram sobre esses problemas. Ao menos três pessoas enviaram queixas ao jornal. Nelas, estão reflexões sobre as poucas mudanças no transporte coletivo da cidade desde 1997, quase 20 anos atrás; gerando o problema da atual da falida mobilidade urbana. Filas, trânsito engarrafado, acidentes, etc. Isso pelo excesso de veículos individuais que é motivado pela exclusão de pessoas e falta de incetivo pelo uso transporte coletivo.
Outras reclamações e observações são citadas por outras pessoas, como por exemplo, o transporte coletivo atual não ser público já que está nas mãos da Gidion e Transtusa, duas empresas privadas que lucram em cima das população. Cícero D'Cardousus, por exemplo, morador da zona norte, conta que leva 50 minutos para chegar ao local desejado pelo descaso das empresas com os horários de linhas, o que de carro levaria 10 minutos.
Agora questionamos sobre os "encontros com a cidade" que o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville (IPPUJ) e Prefeitura de Joinville realizaram com propostas de valorizar o transporte coletivo e incentivar a cidade para usar ônibus. Como a cidade se motivará a deixar o transporte individual com o péssimo serviço de transporte coletivo que temos hoje? Além disso, fala-se numa tarifa custando pelo menos R$4 em 2017. Como a Prefeitura quer incentivar a população a usar um transporte coletivo financiado de forma tarifária paga pelo próprio usuário? É sem dúvidas uma ingenuidade ou aliança da prefeitura com as empresas Gidion e Transtusa.
Como dito no início, a população de Joinville não aguenta mais o sistema de transporte coletivo atual da cidade. Poucas pessoas estão sendo beneficiadas com sistema tarifário de ônibus e suas catracas. Duas famílias para sermos exatos. As famílias proprietárias da Máfia do Busão.
Segundo o IBGE, cerca de 37 milhões de pessoas são excluídas do transporte coletivo por não poderem pagar). Isso significa que o direito à cidade, ao lazer, à saúde, à educação são tirados a milhares de pessoas.
Há 11 anos, o Movimento Passe Livre vem discutindo transporte coletivo com Tarifa Zero, pago com imposto progressivo, sobre grandes fortunas, ou seja, que os ricos pagem a tarifa. A população não terá motivação para andar de transporte coletivo enquanto duas famílias ficarem ricas em cima da população mais pobre.
Leve a pauta do transporte e da Tarifa Zero para o seu bairro!
Só a luta muda a vida!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Conheça o MPL - Reunião de Novos Membros


Há 11 anos, o Movimento Passe Livre (MPL) vem discutindo transporte coletivo e mobilidade urbana no país. Trânsito caótico, tarifa cara, lotação de ônibus, prioridade para transporte individual, valorização do transporte coletivo, tarifa zero, passe livre, empresa pública de ônibus, conselho de usuário, etc.
Em Joinville não é diferente, desde 2005 o MPL vem realizando trabalhos em escolas, bairros, ocupações, espaços culturais e populares para discutir mobilidade urbana e transporte coletivo gratuito.
Para conseguirmos a Tarifa Zero, o Passe Livre e um transporte coletivo de fato público, precisamos manter nossos trabalhos, atividades e ações. Acreditamos que só com a conscientização da população e com muita organização e luta é que chegaremos aos nossos objetivos.
Desde janeiro de 2016, pagamos a maior tarifa do Brasil, no valor de R$4,50. Além disso, a Máfia do Busão – composta por Gidion, Transtusa e Prefeitura -, contaram linhas, fecharam terminais e pouco se preocupam com a lotação dos veículos e o horário escasso das linhas.
Por isso, convidamos a todos e todas para discutir e debater sobre transporte coletivo; e conhecer e participar do MPL - Joinville. A necessidade de vencer as catracas do busão foi e é extremamente urgente. Cada pessoa deve chamar os/as amigos/as mais dispostos para também participar da atividade.
SÓ A LUTA MUDA A VIDA!
POR UMA VIDA SEM CATRACAS!
TARIFA, TARIFA, TARIFA ZERO JÁ!
[+]Confirme presença no evento: https://www.facebook.com/events/370381616642635/

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A prefeitura que pensa o transporte coletivo em quatro encontros

A Prefeitura de Joinville realizará QUATRO encontros na cidade para discutir e e pensar o transporte coletivo da cidade. De uma maneira fajuta e muito mais simbólica que eficiente, os de cima propõe tais encontros para dar uma imagem de que ouve a população e faz um governo ao lado dos de baixo.

O Movimento Passe Livre pensa que, por mais importante que sejam, quatro encontros são insignificantes para ouvir as queixas, ideias e propostas da população, e assim, construir o transporte coletivo com quem de fato usa ele.

Os encontros serão nos dias 16 (região Sul), 17 (Sudeste), 21 (Leste) e 22 de novembro (Norte). o MPL estará presente em todos, levantando as nossas reivindicações dos 11 anos de luta: fim da Máfia do Busão, Tarifa Zero e Conselho de Usuários/as.

Geral convidado pra somar e fortalecer as nossas propostas. Nunca pediremos para que nos ouçam, nossas pautas são exigências!


[+]Prefeitura de Joinville abre edital para debates sobre o Transporte Coletivo: http://ndonline.com.br/joinville/noticias/prefeitura-de-joinville-abre-edital-para-debates-sobre-o-transporte-coletivo

domingo, 30 de outubro de 2016

Ocupar as ruas contra Udo Döhler e a Máfia do Busão





Neste domingo, 30, quatro dias depois do Dia Nacional de Luta pela Tarifa Zero, Joinville teve que decidir entre Udo Döhler (PMDB) e Darci de Matos (PSD) para prefeito entre os anos 2016 e 2020. Ambos com apoio dos setores empresariais e conservadores de Joinville, quem saiu “vitorioso” foi o atual prefeito, Udo Döhler, sendo reeleito com 55% dos votos.

Se Darci de Matos é do mesmo partido de Raimundo Colombo, este ligado historicamente a agir com violência e truculência nas greves de professores de Santa Catarina, Udo está há anos ligado à Associação Empresarial de Joinville (Acij), possui raríssimos momentos de diálogo em greves dos servidores públicos e com a sociedade em geral. Além disso, Döhler, em seus quatro anos de mandato, aumentou a tarifa do transporte coletivo em todos eles.

Como se não bastasse isso, com a escolha dele, a partir de 2017, Joinville terá o coronel da Polícia Militar, Nelson Coelho, como vice-prefeito. Coelho tem um histórico de ameaças, atos violentos e ironias quando está em manifestações populares, como nas contra o aumento e existência da tarifa. Como vemos neste vídeo, o vice de Udo não sabe dar respostas seguras sobre a “segurança” da manifestação e pior, afirma que o capanga da Transtusa está ajudando a fechar o trânsito e nada faz quando o homem é acusado por diversas pessoas que está realizando provocações durante a manifestação.

Precisamos também lembrar da violência policial nas periferias de Joinville, onde as provocações também são acompanhadas de torturas e mortes. Udo, com sua histórica ligação com empresários, aliança com a Gidion e Transtusa e vivência na Acij, local de encontro e reunião dos playboys da cidade, mostra a cada dia seu posicionamento de bater nos de baixo para defender os de cima.

Precisamos lutar contra os de cima, contra quem nos explora todos os dias com aumento de tarifa, com catracas, com violência e exploração. A Tarifa Zero e todas as outras conquistas do povo não virão da bondade dos gabinetes. Mais que nunca, precisamos no organizar, estarmos nos bairros, nas periferias, nos estádios de futebol e em todos os ambientes ao lado e com o povo, com os/as de baixo. Nossas pautas serão reivindicadas nas ruas até que os gabinetes sejam obrigados a nos atender. Nunca pediremos e ou iremos depender de favores. Nossa luta sempre foi e sempre nas ruas!

Seja com Udo Döhler, Darci de Matos ou qualquer outro prefeito, ano que vem estaremos novamente nas ruas, contra a tarifa, contra a Máfia do Busão, contra a perseguição de capangas e contra a violência da policial. Estaremos ocupando ruas e terminais até que não existam mais tarifa e catracas. Até que o povo esteja no poder!

O Movimento Passe Livre (MPL) é um movimento social autônomo, apartidário, anticapitalista e está há 11 anos fazendo trabalhos sobre conquistar um transporte coletivo de fato público, gratuito e para todos e todas.

POR UMA VIDA SEM CATRACAS!

Movimento Passe Livre - Joinville

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Máfia do Busão e a fraude da licitação



Como que duas empresas privadas feito a Gidion e a Transtusa mandam no transporte coletivo de Joinville há 50 anos? Com fraude, é óbvio!

A matéria do portal G1, publicada dia 4 de agosto, fala sobre a fraude nas licitações do transporte coletivo em 19 cidade do Brasil, entre elas Joinville. Há 50 anos diferentes prefeitos são eleitos, de diferentes partidos políticos e nada muda. Luis Henrique da Silveira e Udo Döhler do PMDB, Marco Tebaldi do PSDB, Carlito Merss do PT e tantos outros jogaram o jogo junto com a Máfia do Busão. Os contratos são vergonhosamente renovados, a licitação não sai e o transporte coletivo é gerido por quem não anda de ônibus.

Três desses candidatos estarão novamente concorrendo a prefeito de Joinville e se eleitos continuarão a enriquecer seus bolsos e os da Gidion e Transtusa.

O Movimento Passe Livre é um movimento social autônomo e apartidário. Nossa luta sempre foi e sempre será ocupando as ruas e terminais e colocando fogo nas catracas.

O que apontam os e-mails

"Em 18 de junho de 2010, Antonio Carlos Marchezetti, sócio da Logitrans, envia a Garrone Reck e Sacha Reck minuta de um edital de licitação para a contratação de empresa de consultoria para apoio na elaboração do processo de licitação de ônibus.

Ou seja, os próprios sócios da Logitrans teriam elaborado, em nome da Prefeitura de Joinville, o texto do edital de concorrência pública que servirá para contratar a própria Logitrans."

Versão dos envolvidos

"O ex-prefeito de Joinville, Carlito Merss (PT), atualmente, pré-candidato à prefeitura, declarou não ter interesse em falar com o G1. A reportagem do portal entrou em contato também com a assessoria de imprensa de Merss, que não havia dado resposta até a última atualização desta reportagem.

Até esta terça-feira (2), os documentos estavam sendo analisados pela 13ª Promotoria de Joinville, responsável pela área da Moralidade Administrativa. Quando concluída esta fase, o órgão definirá os procedimentos a serem adotados com relação ao assunto."

Movimento Passe Livre - Joinville 
POR UMA VIDA SEM CATRACAS!
SÓ A LUTA MUDA A VIDA!


terça-feira, 4 de agosto de 2015

A contradição de Marcelo Harger

No mês de julho o advogado Marcelo Harger escreveu para o jornal A notícia um artigo chamado “Chineizando o poder administrativo”. Nesse artigo ele avalia e compara o processo administrativo no Brasil com o chinês e aponta pontos que fazem o processo administrativo punitivo brasileiro atrasado e autoritário. No último parágrafo o advogado conclui que “É preciso brecar o rumo autoritário que segue o direito administrativo sancionador brasileiro. Autoridades são alguns durante algum tempo. Cidadãos somos nós por toda a vida.”
O interessante desse artigo e de todas as palavras usadas pelo escritor, é que algum tempo atrás ele utiliza essa mesma coluna para publicar um artigo chamado “movimentos criminais”, no qual ele argumenta sob a mesma ótica atrasada e autoritária apontada no artigo recente para denunciar os “crimes” praticados por manifestantes - ou bagunceiros, palavra usada no artigo - em atos de protestos que ocorreram no começo de 2014.
Outro fato que torna Marcelo Harger contraditório, é que o mesmo advogado - que reclama de autoritarismo do Estado - junto com as empresas de transporte coletivo Gidion e Transtusa, movem mais de 25 processos em cima de militantes que lutam por um transporte de fato público e com qualidade. “Talvez” por carregar o sobrenome Harger em sua vida, o colunista usa de sua própria revolta para impor o mesmo autoritarismo e incriminar judicialmente pessoas que dedicam-se por melhorias e justiça na sociedade.
Leia o artigo “Movimentos Criminais” aqui: http://wp.clicrbs.com.br/comunidade/2014/02/03/movimentos-criminais/
O processo administrativo punitivo no Brasil é sim atrasado e autoritário, não há dúvidas quanto isso, porém a “grande discricionariedade“, o uso dessas várias pontas abertas nas leis vai do interesse de quem está trabalhando nela e pra quem ele está trabalhando. Como foi mencionado na resposta ao artigo, “Os poderosos que violam as leis têm seus privilégios garantidos. Já para aqueles que sofrem com o descumprimento da lei, a proposta pura e simples é a criminalização.” O lado de interesse em que o autor do artigo está ficou muito bem exposto no seu artigo de 2014, será mesmo que aquilo que ele anseia é brecar o rumo autoritário?

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Greve de motoristas por todo o Brasil

Em todo o país, aconteceram e estão acontecendo paralisações de funcionárixs de transporte coletivo. Em Campinas (SP), a categoria reivindica ajuste acima da inflação e na participação dos lucros. No Distrito Federal, três mil ônibus pararam de circular das 10h até por volta das 15h, e os rodoviários dizem que os empresários sumiram da mesa de negociações. Eles reivindicam aumento salarial de 20% e reajuste de 30% no valor da cesta básica. Em Florianópolis, as manifestações foram contra a terceirização dos serviços dos trabalhadores. 

A greve é aprovada por assembleia em Florianópolis, em maio de 2015.

Em Joinville a exploração é muito maior, pois além do baixo salário, xs funcionárixs tem que fazer duas funções, a de motorista e a de cobrador, e o Sindicato não defende os defende, apenas segue ordens dos patrões das empresas Transtusa e Gidion. Podemos perceber isso numa ação que o Ministério Público do Trabalho (MPT) move contra as empresas do transporte coletivo de Joinville, na qual numa primeira parte é buscado caracterizar o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte como um “sindicato amarelo”, onde o próprio empregador estimula e controla (mesmo que indiretamente) a organização e ações do sindicato. Os outros objetivos da ação tem relação com a ilegalidade das últimas eleições para o Sindicato no ano de 2013, e ainda há um pedido da promotoria para o juiz. 

A ação do MPT contra as empresas Gidion e Transtusa, que pode ser acessada por quem tiver interesse sob o número 0001338-13.2013.5.12.0028, e se iniciou quando um funcionário alegou fraude em sua candidatura à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA). No documento, é possível ter contato com alguns depoimentos de trabalhadores que foram prejudicados pelas empresas por simplesmente querer fazer uma chapa de oposição nas eleições, sendo alguns deles demitidos sem um motivo plausível, e a ação traz ainda algumas observações sobre a CIPA, onde os membros dela são pessoas de alta confiança das empresas, e que não há motoristas participando dessa Comissão.


O Movimento Passe Livre apoia a luta dos trabalhadorxs, e busca junto com todxs, construir um transporte de fato público e com um ambiente de trabalho justo!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Tarifa de ônibus muito acima da inflação.



O gráfico mostra a evolução do aumento da tarifa de ônibus de 1996 até o inicio de 2015.
No gráfico vemos que a tarifa de ônibus teve um aumento muito superior ao da inflação. Enquanto a inflação no período foi de 231%, a tarifa aumentou 442%, portanto a tarifa aumentou quase o dobro da inflação.
As empresas Gidion e Transtusa sempre utilizam da justificativa de aumentar a tarifa devido à inflação. No entanto, se a tarifa seguisse de fato a inflação seu preço estaria em torno de R$1,99.
Conforme o IBGE, cerca de 37 milhões de pessoas são excluídas do transporte coletivo por não poderem pagar o total da tarifa no mês. Isso significa que o direito à cidade, ao lazer, à saúde, à educação, etc são vedados a milhares de pessoas.
Neste início ano o Movimento Passe Livre de Joinville e de outras cidades, fizeram diversas manifestações em suas respectivas cidades com o intuito de barrar o aumento. Aqui em Joinville o prefeito, o qual assina a autorização para o aumento da tarifa, demonstrou não ter nenhuma consideração ou resposta para a população que foi às ruas para barrar o aumento, nos meios de comunicação a prefeitura apenas dizia que não tem nada a declarar.  Mostrando que administra de forma autoritária, sem nenhuma consideração com xs trabalhadorxs e estudantes que sofrem com o aumento da passagem.
O MPL não lança mão apenas de dados, apontamos também a causa do problema do transporte: o transporte esta sob poder da iniciativa privada, ser um objeto de lucro, um meio de enriquecimento de meia-dúzia de empresários e empobrecimento do grosso da população. É por isso que além de qualquer debate sobre uma tarifa maior ou menor, justa ou injusta, propomos a revisão completa do atual modelo tarifário e de gestão do transporte – por um transporte fora da iniciativa privada, público e com participação popular através de conselho de usuários.


O índice utilizado para se medir a inflação é o INPC, que segundo o site do IPEA acompanha a evolução dos preços de “9 grupos: 1. Alimentação e bebidas; 2. Habitação; 3. Artigos de residência; 4. Vestuário; 5. Transportes; 6. Saúde e cuidados pessoais; 7. Despesas pessoais; 8. Educação, leitura e papelaria; 9. Comunicação”.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ato pela Semana Nacional de Luta pela Tarifa Zero e Reunião de Novos Membros

Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca
Com a defesa de liberdade, direitos humanos e de Tarifa Zero para toda a população que o MPL-Jlle pautou sua manifestação da Semana Nacional de Luta pela Tarifa Zero, realizada neste ano na data de 24 de outubro.

Integrada à Campanha Protesto Não É Crime!, a manifestação contou com apoio e participação de outras entidades de lutas sociais, cujo intuito, demonstrado nas falas, faixas e ações, foi de denunciar a perversa criminalização dos movimentos sociais, notoriamente ocorrida há mais de década, mas que se acirrou em Joinville desde agosto do ano passado. Com 24 processos sobre cinco militantes, o direito de manifestação é ameaçado pelas grandes empresas detentoras do monopólio do transporte urbano e pela ação criminosa dos comandos e subalternos da PM, que - vale rememorar - emboscaram, espancaram, torturaram, ameaçaram de morte e prenderam estes mesmos militantes.

Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca

Assim, o ato se reuniu na Praça da Bandeira, local histórico de reunião do MPL-Jlle em suas lutas, e contou com participação de cerca de 100 pessoas, e foi acompanhada de perto desde cedo por grande contingente policial.

Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca
Mas, como se a brutalidade policial e sua onerosa movimentação através da cidade não fosse suficiente, o comando da PM resolveu abarcar a manifestação com fiscais da Transtusa, policiais à paisana e outros ligados à inteligência da corporação, cuja tarefa foi registrar os manifestantes, seus rostos e ações. Bom, quem sabe assim, pelo menos eles não cometam novamente o erro crasso de, como no ano passado, de confundir um acordo mútuo entre manifestantes e os mesmos fiscais da Transtusa, feito no terminal de ônibus sobre o transporte de uma bicicleta e o roubo de uma, que foi a desculpa utilizada para emboscar o ônibus, e prender os manifestantes.

Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca

Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca

Acompanhades pelo grupo de maracatu, as/os manifestantes prosseguiram pelas ruas do centro da cidade, tomando pontos políticos importantes, como cruzamentos movimentados, e lá realizando suas falas, cujo intuito era de fortalecer o direito à voz e à manifestação.

Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca
Houve, ainda, em frente à Passebus, empresa cujo presidente é o filho do dono da Gidion, e que monopoliza a bilhetagem eletrônica na cidade, o movimento proferiu falas de denúncia à empresa e promoveu um "Pula-Catraca!" simbólico.









Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca

Em seu trajeto a manifestação passou defronte à Sociedade Harmonia Lyra, clube elitizado de "divulgação" da "cultura" joinvilense, como seus donos e a grande mídia insistem em afirmar, o MPL-Jlle confeccionou uma dobradiça, no valor de R$ 300, em alusão a um dos processos mobilizados contra um manifestante, que se refere ao episódio de 14 de agosto de 2013, onde, em um conselho dito popular e democrático, a entrada da população foi proibida.

Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca
Finalmente, a manifestação prosseguiu em direção ao Terminal Central, onde um catracaço foi promovido, e centenas de pessoas - estudantes, trabalhadoras e trabalhadores - economizaram R$ 3, e isso inclui transeuntes que chegavam ao terminal para se locomoverem pela cidade e que não haviam participado da manifestação. A reação delas, claro, foi de supresa, felicidade e empatia por economizarem um passe, de seu tão suado dinheiro.

Fotos: Renan Bejarano e Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca
E, com propósitos de continuidade de luta, o MPL-Jlle chama a todas as pessoas interessadas em participar, conhecer, auxiliar, divulgar e debater sobre Tarifa Zero a participarem da Reunião de Novos Membros, a ser realizada neste sábado, dia 1º de novembro, às 16h, no Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Bráz, que fica na Rua Dr. Plácido Olímpio de Oliveira, 660.

Intervenção sobre imagem. Foto: Marcus Carvalheiro / Coletivo Metranca

E, somando aos registros, há também o vídeo produzido pelo Coletivo Metranca sobre a manifestação:


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Debate com Eloisa Samy + MPL-Jlle + PinteLute + CDH

Ontem, dia 21 de outubro, na semana do Dia Nacional pela Tarifa Zero, as organizações que compõem a campanha Protesto Não É Crime! promoveram o debate com Eloisa Samy, advogada que foi presa e pediu asilo político ao Uruguai em julho em decorrência de criminalização de manifestações contra a Copa, juntamente com membros do MPL-Jlle, do coletivo de muralismo PinteLute e do Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Bráz.

O auditório do Ielusc recebeu cerca de 70 pessoas para acompanhar os relatos des palestrantes, que enveredaram sobre as atuações dos movimentos sociais e do Estado, que nega à democracia quando criminaliza as pessoas que lutam por direitos.

Foto: Júlia Vieira.


No entanto, a presença física de Eloisa foi comprometida devido a uma ordem judicial que a impede de transitar para fora do estado do RJ. E, mesmo solicitando para uma breve visita a Joinville para a palestra, o juiz responsável pela ação, postergou até o último instante para indeferir o pedido, impedindo assim, o trânsito de Eloisa. Inclusive em ações assim, a mão do Estado busca impedir a organização das entidades de luta.

Não obstante, a mesa contou sim com a participação de Eloisa através de videoconferência, onde relatou suas experiências das lutas no Rio de Janeiro, e respondeu a perguntas da plateia.

Foto: Pedro Bergamaschi

Ao término, houve a panfletagem da cartilha da campanha, chamando para o Ato Nacional pela Tarifa Zero, em consonância com a semana nacional de luta pela TZ, que mobilizará outros coletivos do MPL pelo país.

A manifestação será na sexta-feira, dia 24, com início às 18h, na Praça da Bandeira.


sábado, 18 de outubro de 2014

Ato Nacional pela Tarifa Zero

Há 10 anos, em todo o país, 26 de Outubro é lembrado como um dia de luta pelo transporte público. As memórias remetem a Florianópolis, um cenário de pressão política, do povo nas ruas exigindo, pressionando estado e empresários, por um transporte realmente público. E estes, com o apoio da Polícia Militar, fugindo pela porta de trás.

Passado uma década, o ano de 2014 está sendo marcado por criminalização em Joinville. Por conta das lutas pelo transporte público e pela revogação do aumento da tarifa, as empresas que exploram o transporte ilegalmente há 50 anos, Gidion e Transtusa, a Passebus, prefeitura e empresário Udo Dohler, e a Polícia Militar, movem 21 processos políticos, na tentativa de criminalizar os atos dos movimentos sociais. O escritório de advocacia Harguer (Transtusa) é autor de quase a totalidade dos processos. Ainda, sofremos com a violência do aparato policial, inclusive com ameaça de morte, em um dos episódios.

Para lutar contra essa criminalização crescente contra os movimentos sociais, pela garantia da liberdade de manifestação e pela livre organização lançamos a campanha Protesto Não é Crime. Mesmo com todas as pressões os movimentos sociais não se calarão e nem deixarão de ir às ruas lutar contra essas e outras injustiças.

Portanto, vamos todxs as ruas nesse dia 24 de Outubro, pela Tarifa Zero e Pela Liberdade de Lutar. Por um transporte de fato público, contra a criminalização.

Link do evento no Facebook: 
Ato Nacional pela Tarifa Zero

TARIFA ZERO JÁ!
PROTESTO NÃO É CRIME!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Nota: PROTESTO NÃO É CRIME!



É direito de toda cidadã e cidadão manifestar-se e lutar pelos seus direitos. Mas não é isso o que os poderosos pensam. Em todo o país vemos uma série de criminalizações as lutas sociais. Em São Paulo, trabalhadorxs foram demitidxs por fazer greve e lutar por seus direitos. Em Cachoeirinha/POA, grevista tem sua residência invadida de forma intimidatória. Em Joinville não é diferente, há anos as pessoas que vão às ruas defender seus direitos são duramente reprimidas, tanto pela polícia, quanto pelas elites locais.

Várixs companheirxs foram reprimidxs durante as últimas lutas pelo transporte entre 2013 e 2014, três foram presos injustamente, agredidos e ameaçados de morte, e hoje respondem uma série de processos que movem a acusação o Estado, e também as empresas que exploram o transporte, de mãos dadas com CDL, ACIJ, e com o atual prefeito.

Estamos num período de violações dos direitos da mulher e do homem, de criminalização daquelxs que lutam. O contexto de Copa do Mundo é ainda mais intimidador. É necessário termos conta de que não estamos sós. Nesse momento devemos carregar a solidariedade de classe conosco, levando juntos nossas reivindicações!

Nos próximos meses irão ocorrer diversas audiências dos processos em questão, é nosso dever lutar, debater, mobilizar e se solidarizar com os companheirxs.

RODEAR DE SOLIDARIEDADE XS QUE LUTAM!
PROTESTO NÃO É CRIME!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Nota de Apoio à Chapa #Mobiliza - DCE Ielusc


O Movimento Passe Livre Joinville, movimento apartidário, vem declarar, por meio desta nota, seu total apoio e solidariedade à Chapa Mobiliza, que concorre à reeleição no DCE Florestan Fernandes Ielusc como Chapa 1.
Consideramos a Chapa Mobiliza uma gestão apartidária e que busca a pluralidade. Onde suas ações são para beneficiar todas/as os/as estudantes da instituição, antes de
políticas partidárias externas. Tal modelo de gestão que valorizamos.
Por esses motivos, declaramos nosso apoio à Chapa 1 - Mobiliza. Desde já, estamos na torcida e esperamos que sigam com essa filosofia, levando os/as estudante do Ielusc buscarem um ensino melhor para todos/as.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Trabalhadores do transporte e democracia sindical – sobre a ação do Ministério Público do Trabalho contra o sindicato e as empresas de transporte de Joinville

Por Miguel Neumann – militante do MPL Joinville

Manifestação dentro do Terminal Cental


O Ministério Público do Trabalho ajuizou ação sobre o direito à liberdade sindical dos trabalhadores do transporte coletivo de Joinville. Os réus, como não poderiam deixar de ser, são o próprio Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros de Joinville, a Gidion e a Transtusa. É um segredo compartilhado por todos que o sindicato sempre teve ligação umbilical com as empresas. A novidade da ação, todavia, consiste em realizar uma pesquisa a fundo sobre o assunto, como ninguém mais poderia fazer, reunindo uma extensa diversidade de depoimentos que comprovam o descompromisso do sindicato com o bem estar dos trabalhadores bem como o caráter antidemocrático da Gidion e Transtusa ao controlá-lo por meios indiretos.

O objetivo desse texto é apresentar os pontos que me parecem mais significativos da ação em uma linguagem popular e, com isso, contribuir com a reflexão a respeito do modelo de transporte coletivo que desejamos que vigore nos próximos anos em Joinville, sobretudo por estarmos em um contexto de licitação, portanto crucial para o futuro imediato de nossa cidade. Um modelo que significou e significa a perseguição, humilhação e demissão de trabalhadores que desejam gozar do seu direito elementar à organização deve perecer e dar lugar a uma organização de transporte que permita, contribua e facilite esse processo de autoorganização dos trabalhadores. 

Antes de iniciar propriamente a apresentação da ação vale dizer que ela é pública e está disponível, por meio de requerimento, na sede do próprio Ministério Público do Trabalho. Ela encontra-se sob o número 0001338-13.2013.5.12.0028 e pode e deve ser acessada por aqueles que têm interesse em mais do que uma exposição parcial – que é aquilo que esse texto pode oferecer. 


Patrões do Transporte e Patrão-Prefeito Udo Döhler
Sobre a ação

A ação divide-se em três partes. A primeira busca caracterizar o sindicato atual dos trabalhadores de transporte como um “sindicato amarelo”; a segunda reconstitui as ilegalidades que orientaram as últimas eleições do sindicato em 2013; e, por fim, a terceira parte constitui o pedido da promotoria frente ao juiz. Sigamos, em linhas gerais, essa estrutura1.

Sindicato amarelo, conforme citado na própria ação, é quando “o próprio empregador estimula e controla (mesmo que indiretamente) a organização e ações do respectivo sindicato obreiro”2 (p. 2). A promotoria, conforme doutrinadores do direito, também afirma que o setor mais propenso a práticas antissindicais é o empregador, tratado como “infrator potencial da liberdade sindical” (p. 4). Nesse sentido, a ação declara:

 “No setor dos réus, tal propensão se faz sentir sobremaneira. Afinal, o que mais empresários do ramo do transporte coletivo urbano poderiam desejar, além do monopólio do serviço por décadas sem licitação? (...) Infelizmente o Ministério Público do Trabalho verificou que para além da mera ‘propensão’ das empresas em influenciar o sindicato, o que existe entre os réus é uma verdadeira promiscuidade de relações, perniciosa a toda a categoria profissional e, certamente à sociedade joinvilense. Por conta dela, as empresas controlam as reivindicações dos trabalhadores e, em troca, a diretoria do sindicato se perpetua no poder” (p. 4) 
 
Esse é o resultado da ação apresentado de modo preliminar. Resta mostrar o processo que permitiu ao MPT chegar a essa conclusão. 

E o processo teve início com a denúncia de um cidadão trabalhador que alegou que sua candidatura à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) foi fraudada. Carlos1 apresentou listagem com a assinatura de 59 pessoas que votaram nele, muito embora no edital com o resultado houvesse apenas trinta votos favoráveis a sua candidatura (pp. 4-5). Segundo Carlos, sobre a fraude, 

acredita que isso ocorreu porque tinha uma ligação com um trabalhador que cogitou formar uma chapa de oposição para as eleições do sindicato desse ano [2013] e também porque o depoente fez uma campanha forte para que seus eleitores de fato fossem votar e votassem nele. (...) no mesmo dia em que o depoente foi dispensado também foi dispensado o Sr. João, apenas porque este comentou que o que aconteceu com o depoente estava errado e que acreditava que a contagem de votos tinha sido fraudada” (p. 5). 
 
Como nota a ação, “a estabilidade empregatícia garantida ao membro da Cipa eleito pelos empregados faz com que essas comissões funcionem como potenciais nascedouros de líderes da classe trabalhadora” (p. 5), e, por isso mesmo, é estratégico para as empresas que cortem o “mal pela raiz” atuando na demissão daqueles que a ela se candidatem. A ação ainda nota que nas atuais Cipas da Gidion participam trabalhadores de grande confiança da empresa, como um controlador operacional, logo convenientemente promovido a supervisor de negócios, um instrutor operacional e uma assistente de RH. Notável como em uma empresa de transporte coletivo não há motoristas cipeiros. 

O trabalhador com quem o sr. Carlos tinha ligação era o Sr. Élcio. O testemunho de Élcio dá conta de que
foi dispensado sem justa causa pela empresa; que era cipeiro e seu mandato iria até o final deste ano; que ajuizou reclamatória trabalhista questionando isso; que a empresa não alegou nenhum motivo para dispensá-lo, apenas disse que teria que dispensar alguém e que havia chegado a vez do depoente; que acredita que foi dispensado por ter participado de uma reunião em Blumenau com o sindicato daquela cidade que ajudaria o depoente e outros sete trabalhadores a compor uma chapa de oposição para as eleições do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros de Joinville; que cerca de 15 dias após sua participação nessa reunião o depoente foi chamado a comparecer na matriz da empresa quando o sr. Jacson e o sr. Skill, ambos supervisores, informaram ao depoente que sabiam de sua participação em referida reunião e indagaram quais outros trabalhadores haviam participado. (...) como a empresa na verdade não sabia ao certo quem estava articulando a oposição, dezenas de outros trabalhadores foram dispensados, apenas por falsas suspeitas” (pp. 5-6). 
 
O sr. Élcio foi, antes de sua demissão, realocado para o terminal do Nova Brasília, de menor visibilidade a fim de facilitar sua exclusão da empresa. Até aí teríamos um depoimento isolado se não fossem todos os seguintes que confirmam a mesma prática antissindical promovida pela Gidion e Transtusa. Outro ex-trabalhador, o sr. Ismarildo, acredita “na verdade [que] o Sindicato não é dos trabalhadores; que diz isso porque os trabalhadores que lá comparecem para fazer qualquer reclamação contra a Empresa são dispensadoos depois de alguns dias” (p. 6). Uma testemunha que optou pelo anonimato contou ao MPT que reclamou ao Sindicato certos direitos que, no seu entender, seriam negligenciados pela Gidion. O representante do sindicato confirmou, via telefone, que, de fato, tais direitos eram sonegados, o que prontamente ensejou a pergunta, por parte da testemunha anônima, se o Sindicato nada faria. Conforme seu depoimento, afirmou “que o represente do sindicato então desejou saber qual era o empregador do depoente e a identidade deste; que o depoente se negou a dizer; que o representante do sindicato então pediiu para que o depoente fosse até o sindicato a fim de conversar pessoalmente sobre o assunto; que o depoente respondeu que não iria se fazer presente para não ser identificado, pois sabia que se fosse identificado pelo sindicato estaria na ‘na rua’ no dia seguinte; que o representante do sindicato riu” (pp. 9-10). 

Fatos isolados e singulares? Não parece ser o caso. Instrutivo a esse respeito é o depoimento do sr. Sebastião, ligado ao Sindicato dos Metalúrgicos, que, citado em depoimentos, teve participação na formação de uma chapa nas eleições de 2006, na qualidade de representante local da Central Única dos Trabalhadores. A eleição de 2006 ocorreu apenas após ação pública (explicarei o caso adiante). Sebastião contou que parte do esquema de permanência do atual grupo no poder do sindicato deve-se não apenas a mecanismos tipicamente repressivos, o mais alto deles a demissão, mas também ocorre através da cooptação de trabalhadores. Disse ele:

(...) nessa condição [de representante da CUT] foi procurado há pouco mais de 06 (seis) anos por alguns trabalhadores das empresas Gidion e Transtusa que pediram assistência para criar uma chapa de oposição para concorrer nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte de Joinville; que passou a orientar esses trabalhadores sobre como deveriam proceder para criar uma chapa sem deixar que o nome de seus integrantes transparecesse para as empresas, pois no meio sindical é consabido que o fato de a empresa conhecer os nomes de pessoas que pretendem participar da eleição pode vir a trazer prejuízo para estas; que teve contato, nessas orientações, com o Sr. Valdecir, empregado da Transtusa, e o senhor Probato, empregado da Gidion; que antes do registro da chapa a Transtusa ofereceu ao Sr. Valdecir, o qual então tinha estabilidade por ser CIPEIRO, a coordenação do terminal norte, isto é, propôs-lhe uma promoção; que o sr. Valdecir aceitou isso; quanto ao sr. Probato, os componentes da então ‘situação’ do Sindicato profissional lhe deram oportunidade de participar de sua chapa; que com isso esses trabalhadores acabaram por abandonar a ideia de compor uma oposição; que soube que os demais trabalhadores que pretendiam compor a chapa de oposição acabaram por ser dispensados pelas duas empresas (p. 10).

No entanto não basta cooptar e demitir, é ainda preciso intervir ativamente no processo. Segundo ainda Sebastião, seu testemunho indica que quanto à eleição de 2006 “soube que as empresas providenciaram o pagamento das mensalidades sindicais de todos os trabalhadores componentes de seu quadro administrativo; que efetivamente presenciou micro-ônibus das empresas chegando no sindicato de onde desembarcaram trabalhadores administrativos para votar” (p. 11). 

A ação é mais rica que essa pálida seleção de depoimentos. No entanto, parece a partir deles ser possível caracterizar com segurança o status de “sindicato amarelo” do sindicato dos trabalhadores de transporte de Joinville. A epígrafe inicial da ação pública correlaciona corretamente o direito à liberdade com a efetivação da democracia como um todo. A negação desse direito a um setor significativo da sociedade joinvilense
constitui uma afronta a toda sociedade; os direitos não podem, ou não devem, ser suspendidos no interior do espaço de trabalho. Pois esse é justamente o caso, caso invisibilizado em razão do poder econômico das empresas rés amparadas por um sindicato que não cumpre com sua função mais básica de representação política. E porque essa insatisfação, embora grandiosa, permanecia ainda invisível? Há aproximadamente dois anos trabalhadores da Transtusa tentaram criar uma associação meramente recreativa. Isso foi o suficiente para a demissão de vários deles. A ação relata: “Com efeito, à época houve denúncia sobre o tema perante a Procuradoria do Trabalho, mas como o denunciante se negou a informar nomes de participantes do movimento, por temer represálias da empresa, o inquérito acabou arquivado por falta de provas” (p. 14). Um trabalhador esclarece a razão de toda essa insatisfação permanecer, em grande medida, ainda invisível: “indagado pelo Procurador o motivo de ninguém ter procurado o MPT na época, considerando que havia até investigação sobre os fatos, o depoente afirmou que provavelmente isso ocorreu em razão do receio dos trabalhadores de serem dispensados e não conhecerem a possibilidade de solicitar sigilo de sua identidade, pois se soubessem disso vários viriam depor, já que todos são revoltados com a promiscuidade entre as relações da empresa com o Sindicato profissional” (p. 14). Estamos diante de um poder fundamentalmente autocrático que a partir do espaço de trabalho cria um clima político de medo em parte importante da sociedade.

O clima de medo vinculado à possibilidade da perda do emprego na empresa privada impossibilitou por grande tempo uma visão de conjunto equilibrada sobre a situação dos trabalhadores por parte do poder público e da maioria da sociedade. Todavia, no interior da empresa a situação apresentava-se clara, a ponto de a investigação promovida pela Procuradoria chegar a estar com depoimentos em demasia: “De todo modo, além das 08 (oito) testemunhas até então ouvidas, foram ouvidas outras dezesseis (16) pessoas. Todos os depoimentos convergem com o quadro de manipulação do sindicato pelas empresas e de direcionamento das eleições pelos réus. A dado momento eram tantos o trabalhadores que compareciam na Procuradoria para depor, motivados por sua revolta com as eleições, que se passou a dispensar as oitivas (esses outros depoimentos foram colhidas às vésperas e durante as últimas eleições sindicais, ocorridas em agosto/2013)” (p. 11). 

Vista em sua especificidade interna, a situação dos trabalhadores de transporte em Joinville é, por si mesma, absolutamente lamentável. Mas se vista em termos comparativos? A ação pública, com esse fim, passa a investigar os acordos coletivos de trabalho (ACT) de Joinville e Florianópolis com o propósito de aferir, em outra localidade, geograficamente aproximada de Joinville, qual a situação dos trabalhadores de lá e cá. A ação avalia 33 pontos de vantagens, direitos e obrigações das categorias em comparação – os valores são referentes à data da ação. Antes de citá-los, vale lembrar, como se não fosse suficiente, que a tarifa em Florianópolis é ligeiramente menor que em Joinville. Dos 33 pontos citados em cinco deles Joinville proporciona melhores condições aos trabalhadores que em Florianópolis, a qual, por sua vez, supera Joinville em vinte e cinco outros pontos, sendo dois deles “equivalentes” e um deles indefinido (por uma razão a ser comentada adiante). Entre as vantagens de Florianópolis encontra-se o salário normativo (cerca de R$450 superior ao de Joinville); o tíquete alimentação (superior em R$140), a existência de participação nos lucros (inexistente em Joinville); a possibilidade de adiantamento de 40% do salário (inexistente em Joinville); a duração do trabalho fixada em 6h30min diários (em Joinville são 44h semanais); o fato de o motorista não possuir a dupla função de vender passagens (sabemos, em Joinville isso ocorre há mais de dez anos); adicional noturno de 30% (em Joinville é de 20%); salário no contrato de experiência idêntico ao piso (em Joinville o valor é de 90% do piso); a previsão de descontos salariais de 10% do piso, ou da franquia, sobre danos em veículos (em Joinville a cobrança dá-se de forma ilimitada); não há previsão que motorista, ou mesmo cobrador, cumpram a função de limpeza no interior dos veículos (em Joinville, ao contrário, essa função também cabe ao motorista). A ação pública é precisa ao definir que “Em alguns pontos o ACT de Joinville parece mais um regulamento empresarial do que um instrumento de negociação coletiva” (p. 15).

* * *

Intervenção sobre a fachada da Transtusa: Futura Empresa Pública de Transporte

Esses são, em linhas muito esquemáticas, os argumentos que permitem à ação concluir que o sindicato é, de fato, “amarelo”, patronal, contrário à reivindicação dos trabalhadores. A segunda parte da ação civil pública trata de analisar as eleições ocorridas em agosto de 2013, com a ressalva de que “o histórico antidemocrático do sindicato réu já vem de longa data. Ao cabo do mandato da diretoria anterior, por exemplo, em 2006, as eleições só foram realizadas por ordem do Juízo da 1ª Vara do Trabalho, acolhendo pedido do MPT” (p. 21). Formalmente, o estatuto antidemocrático do sindicato permitiu a extensão do mandato dos burocratas em questão, na medida em que permitia que, na vacância de 50% dos cargos e sem suplência, seria possível escolhê-los via assembléia extraordinária e prorrogar em seis anos (!) o mandato. A Vara do Trabalho, a par da evidente manobra, declarou esse ato de efeito nulo e obrigou o chamado de novas eleições.

Não é uma afirmação destemperada e fora do bom senso dizer que as eleições do sindicato em 2013 foram um golpe antidemocrático sobre a categoria de trabalhadores do transporte. Golpe esse financiado diretamente pelas empresas Gidion e Transtusa. A explicação dessa asseveração é simples. Essa manobra ocorreu em vários atos os quais tentarei reconstituir. A partir de janeiro de 2013 os benefícios advindos da associação ao sindicato, do corte de cabelo a plano de saúde, através do pagamento de mensalidades, passaram a não mais ser descontados da folha de pagamento e vieram a ser integralmente pagos pelas empresas. Ou seja, os serviços oferecidos pelo sindicato passaram a ser financiados pelas empresas rés. Vale lembrar que o Acordo Coletivo de Trabalho proíbe que as coisas assim ocorram (p. 22). Mesmo aqueles que jamais foram sindicalizados puderam usufruir dos serviços do sindicato. Aos incautos, aparentemente, uma benfeitoria das empresas frente a seus funcionários. Conforme a ação, “a cláusula ‘Dos Benefícios’ do acordo coletivo de trabalho firmado entre os réus (...) servia-lhes como instrumento de incentivo à associação, pois previa a concessão de uma série de benefícios pelas empresas, mas apenas aos trabalhadores associados ao sindicato profissional. As poucas vantagens previstas no acordo coletivo aos trabalhadores residiam justamente nessa cláusula e desse modo, praticamente todos os empregados se associavam ao sindicato (e tinham as mensalidades descontadas de seus salários)” (pp. 22-23).

Qual a razão da mudança dessa metodologia – pagar individualmente para ter os benefícios em oposição às empresas pagarem – precisamente em ano eleitoral? Essa aparente “benesse” nada mais era que uma tática de esvaziamento do número de filiados objetivando o maior controle da burocracia sindical em vistas de se garantir a vitória nas eleições. Sim, tratou-se da diminuição significativa do número de filiados, da redução drástica do número de associados. Parece insano um sindicato reduzir seu número de filiados, justo aqueles que lhe garantem a manutenção econômica e política. Todavia, quando a representação política se autonomiza das bases e quando seu financiamento não se dá mais pelo desconto dos trabalhadores, mas sim por meio do bolso dos patrões não há nada de estranho nisso. A ação emenda: “O que se fez, então, foi providenciar a desassociação em massa dos trabalhadores no ano das eleições, mediante suspensão dos descontos das mensalidades sindicais” (p. 23).

Para garantir a legalidade formal desse ato, o sindicato afixou edital, sem qualquer publicidade, comunicando que os benefícios seriam mantidos e quem desejasse permanecer associado deveria procurar o sindicato. A questão é urgente: ora, se os benefícios estavam mantidos, para que se manter associado, que vantagens isso podia trazer ao trabalhador? Permanecer associado garantiria um direito fundamental: o direito de votar e ser votado. Nesse momento, porém, esbarra-se na constituição histórica do sindicato amarelo do transporte:

Mas, no contexto das espúrias relações existentes entre os réus, acima referidos, quem procuraria o sindicato para manter sua associação? Ora, os benefícios haviam sido estendidos para todos os empregados, ainda que não associados, e desse modo o único interesse do trabalhador em manter sua associação seria a participação nas eleições. Assim, os trabalhadores já sabiam que se procurassem o sindicato para manter sua associação (e poderem participar das eleições) seriam sumariamente dispensados pelas empresas (sob algum pretexto, obviamente), pois ficaria claro para os réus que o interesse do trabalhador era participar do sindicato. Como resultado prático, manteve-se a qualidade de associado apenas daqueles comprometidos com as empresas e a atual direção do sindicato, de modo que apenas eles puderam compor chapa, votar e elerger-se” (pp. 23-24). 
 
A ideia disseminada cirurgicamente a fim de enganar os trabalhadores era de que a empresa estaria “pagando as mensalidades”, quando na verdade ela pagava os benefícios, porém com a maioria tendo sido desassociada – o que não era claro a categoria, tendo em vista que o edital que promoveu a desfiliação não foi devidamente publicizado. O processo todo ocorreu às costas dos trabalhadores. A ação conclui, com bastante destaque, que o objeto da manobra era o “evidente intuito de DIRECIONAR AS ELEIÇÕES” (p. 24). 

Há vários depoimentos que jogam luz sobre o caso. O caso da sra. Maria parece um dos mais drásticos pois nela a indicação da constituição de prova material sobre o ocorrido. O sr. Elcio citado anteriormente, afirmou que a sra. Maria não deu-se por satisfeita com a desfiliação de modo que “procurou o sindicato para pagamento das mensalidades e este não aceitou; que a Sra. Maria fez isso porque não poderia ser dispensada, já que estava afastada do emprego recebendo benefício do INSS; que se fosse outro trabalhador sem estabilidade fatalmente seria dispensado pela empresa, pois o sindicato teria comunicado à empresa a intenção do trabalhador” (p. 9). A própria sra. Maria disse que “o Sindicato não vem prestando assistência para a depoente e inclusive esta atrasou quatro mensalidades e compareceu ao sindicato para fazer o pagamento em atraso mas o sindicato, na pessoa do Sr. Rubens Müller, não aceitou; (...) que enviou uma carta para o sindicato manifestando o seu interesse em pagar em atraso as mensalidades mas a carta retornou com o AR com a anotação ‘RECUSADO’ e a assinatura do Sr. Rubens Müller” (p. 7). A testemunha apresentou no Ministério Público do Trabalho a carta, ainda fechada, com a assinatura do sr. Rubens Müller.
Diante desse quadro, será possível estimar em números o quanto significou essa desfiliação em massa a fim de garantir, de modo arrivista, a vitória nas eleições? Segundo a ação, “apenas a segunda ré (Gidion) descontou dos salários a mensalidade sindical para 700 empregados em janeiro de 2012 ao passo que, já por ocasião das eleições, havia apenas 86 (oitenta e seis) associados aptos a votar, conforme documentos apresentados pelo sindicato réu no inquérito (...). Em um ano, o quadro de associados foi reduzido em cerca de 95%” (p. 26).

E isso tudo ainda não basta a fim de determinar o alcance do atentado à liberdade sindical promovido por empresas e sindicato. Questões outras, ainda que “menores”, demonstram o descompromisso com a democracia. O edital estabelecia que duas das três urnas de votação seriam itinerantes e estariam localizadas nos principais locais de trabalho (a outra estaria na sede do sindicato). Todavia, as duas urnas supostamente itinerantes permaneceram fixas nas sedes das empresas, segundo o próprio presidente do sindicato, em manifesto desrespeito ao edital (p. 29). O edital publicado no jornal A Notícia, ao dar aviso da existência das eleições, dizia ainda que o edital resumido encontrar-se-ia na sede do sindicato, o que, por sua vez, desrespeita o regulamento eleitoral. Regulamento esse desrespeitado quando também deveria estar expresso os locais de afixação ou trânsito das urnas e seu respectivo horário. Há ainda outra irregularidade, de maior porte. Acompanhemos a reconstituição de uma testemunha anônima:

“que foi procurado por um colega para montar uma chapa para participar das eleições do sindicato; que tendo aceito, passou a auxiliar na montagem dessa chapa, inclusive abordando colegas para convidá-los; que a chapa efetivamente foi formada com 20 (vinte) integrantes e estes estavam aguardando a publicação pelo Sindicato do edital de abertura do prazo de inscrição de chapas para a eleição; que vários dos integrantes estavam adquirindo jornais “Notícias do Dia”, “A Notícia”, “Gazeta de Joinville” e o “Jornal de Santa Catarina”; que no entanto souberam ontem que o edital foi publicado, o prazo para a inscrição já terminou e as eleições ocorrerão nesta sexta-feira dia 30/08 sem que nenhum dos integrantes tivesse visto a comunicação; que isso ocorreu porque a publicação foi feita em legras (sic) pequenas, fora da parte de publicações legais (Seção de Esportes) em um fim de semana e sem cabeçalho de identificação do sindicato (...)” (p. 29).

Publicação em letras miúdas, sem cabeçalho e na seção de esportes, portanto não na tradicional parte das “publicações legais”. Aqueles que, eventualmente, furaram o bloqueio e tentaram pagar suas mensalidades sofreram ainda um desestímulo por parte do sindicato. Convincente a esse respeito é a transcrição de uma conversa telefônica entre um trabalhador e um secretário do sindicato no qual há uma evidente má vontade em que o trabalhador deixe seu pagamento em dia a fim de poder participar do suposto processo democrático (pp. 32-33).

Os pedidos da ação

A ação civil pública solicita que as eleições do sindicato em 2013, na qual proliferaram toda a sorte de denúncias, sejam anuladas. Diz a ação: “Deve ser reputada NULA a eleição promovida no dia 30/08/2013 para a diretoria sindical do sindicato réu e ILEGÍTIMA é a diretoria que se fez eleger, devendo esse MM. Juízo assim reconhecê-la e decretá-la, cassando todos os atos porventura praticados após aquele pleito. Ainda, impõe-se a reparação do mal causado pelos réus, de forma ampla e a inibição de prática futura de ilícitos da mesma espécie” (p. 36).

É claro, entretanto, que o sindicato não é o único responsável por toda a situação. Há ainda as empresas que patrocinaram o golpe antidemocrático. Dado o dano moral coletivo causado ao conjunto da sociedade – “Os ilícitos são gravíssimos, redundando em prejuízos nefastos para milhares de trabalhadores e toda a sociedade joinvilense e auxiliando, certamente, na fruição de vultosos lucros pelas empresas” (p. 39) – é necessário que ele seja reparado. A ação lembra, por um lado, do fato de as empresas possuírem um capital significativo e, por outro lado, sua condição ilegal: “O grande porte econômico das empresas rés é fato notório na cidade de Joinville. Aos graus superiores de jurisdição, todavia, cumpre esclarecer que elas são, há muitas décadas, detentoras do monopólio (sem licitação, diga-se de passagem) do transporte coletivo de passageiros de Joinville (...)” (p. 39). Por isso, o Ministério Público sugere que a indenização ao prejuízo causado pelas empresas seja definido em dez milhões de reais. 

Há ainda a importante menção a respeito da proteção das testemunhas, em especial a Sra. Maria, até a época do ajuizamento afastada da empresa, e que quando de sua readmissão ela não deverá ser demitida.
A ação ainda não teve um resultado final.


Escracho quando Moacir Bogo (Gidion) recebe título de Cidadão Honorário

Democracia e transporte público
A ingerência das empresas rés no sindicato de trabalhadores do transporte é tamanha, contínua e organizada de tal modo que deve nos levar a perguntar pelas suas motivações mais profundas. Quais as razões que levam as empresas e sindicato a um acordo tão uníssono em vista do massacre dos trabalhadores?

A ação civil pública oferece várias sugestões. Não há dúvida, no entanto, que a ampliação da margem de lucro seja o objetivo primário – a comparação com Florianópolis é eloqüente a esse respeito. A desorganização e desmobilização deliberadamente produzidas pelo sindicato são altamente benéficas a fim de que os trabalhadores tenham seus direitos e vantagens reduzidos em favor dos dividendos das empresas. Como é claro ao longo da ação, as empresas não apenas reprimem – embora seja essa sua tática prioritária –, mas também cooptam, chamam para si trabalhadores com eventual potencial de organização para cargos diretivos. Nesse sentido, o atual sindicato nada mais é do que uma espécie de casta de ex-trabalhadores que guarda pouca ou nenhuma semelhança com o restante da categoria profissional. A atuação coordenada junto à direção da empresa os transmutou em fiéis guardiões dos patrões. 

Do ponto de vista dos usuários de transporte, no entanto, qual o significado e importância dessa ação civil pública? Na verdade, toda a importância. A necessidade de unificar os interesses entre trabalhadores e usuários é uma questão de longa data no interior dos movimentos sociais que lutam contra os aumentos de tarifa e transporte público, os quais ganharam bastante notoriedade desde junho de 2013 – muito embora sejam bem mais antigos do que essa periodização possa supor. 

Em Joinville, quando da primeira audiência a respeito da licitação do transporte, em 30 de janeiro de 2012, a Frente de Luta pelo Transporte Público lançou um manifesto com vários pontos a fim de balizar a discussão em torno da modificação do transporte. Desde aquela época – e nesse ponto Udo Döhler e Carlito não apresentam quaisquer diferenças – a iniciativa do poder público caminhava na manutenção do transporte privado, custeado por tarifa individual, de baixa qualidade e salários e condições de trabalho aviltantes aos funcionários. Além de a FLTP propor mudanças substantivas no modo de arrecadação a fim de custear o transporte (priorizando impostos progressivos e, eventualmente, uma mensalidade), um dos pontos buscava contemplar a questão da organização sindical. Explicitamente a FLTP reivindicava liberdade de organização para os trabalhadores das empresas de transporte. É evidente, porém, que a luta é muito mais antiga e essa menção é apenas ilustrativa, mas demonstra a disposição de que trabalhadores e usuários devem se somar a fim de terem mais força política. Diante disso, a ligação entre os usuários de transporte e os trabalhadores deve ser efetivada. A condição para isso é a continuidade do processo de autoorganização dos trabalhadores do transporte – como a própria ação civil diz, numa quase organização de “guerrilha”, clandestina e cuidadosa – somada às iniciativas do movimento social por redução de tarifas e por transporte público com tarifa zero. 

A ação civil pública da Procuradoria do Trabalho é uma contribuição fundamental não apenas para a discussão localizada do problema de trabalhadores de uma determinada empresa. Na verdade, essa ação civil pública proporciona o ensejo de discussão a respeito do modelo de transporte coletivo que desejamos, pois, como bem argumenta a ação, o atual modelo significa níveis de exploração desmedidos dos trabalhadores e falta de liberdade sindical. A transformação necessária é mais crucial: é necessário superar o modelo privado que, por se apoiar na lógica do lucro, tem como seu corolário a destruição da organização verdadeiramente sindical dos trabalhadores. E, com isso, o debate avança para o modelo de sociedade que efetivamente construímos, se apoiado na negação de direitos elementares aos trabalhadores cidadãos ou não. Nesse sentido, a ação civil pública 0001338-13.2013.5.12.0028 presta serviço e confere honra à luta de todos aqueles que não se conformam com a arbitrariedade do poder econômico de duas empresas e seu braço sindical sobre a maioria da sociedade joinvilense. Por isso é possível dizer que essa ação civil pública é mais um passo na longa caminhada por uma vida sem catracas.