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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Entrevista com militante do MPL Joinville no programa Xeque-Mate

Assista a abaixo a entrevista realizada com um dos militantes do Movimento Passe Livre no programa Xeque-Mate, exibido no dia 01/07.

Bloco 1:


Bloco2:


Bloco 3:




terça-feira, 25 de junho de 2013

Podcast: MPL de Joinville fala sobre Tarifa Zero

Ouça abaixo o podcast com o MPL Joinville realizado pela Revi (revista eletrônica do Bom Jesus/Ielusc):

Bloco 2 MPL

Veja matéria completa aqui

domingo, 23 de junho de 2013

[Portal Joinville] Movimento Passe Livre fala sobre manifestação desta quinta (20/06)


Matéria completa no Portal Joinville

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Entrevista com a Frente Autônoma, do Bloco de Luta pelo Transporte Público de Porto Alegre



Desde o início do ano, o Sindicato das Empresas de Ônibus (Seopa) e a prefeitura de Porto Alegre, vinham se articulando para aumentar o preço da passagem da capital gaúcha. A partir de então, o Bloco de Luta pelo Transporte Público organizou diversas manifestações contra o aumento, que ganharam ainda mais força com o posicionamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público, que viam irregularidades no cálculo da tarifa. Ainda assim, a prefeitura concedeu o reajuste, aumentando a tarifa de R$ 2,85 para R$ 3,05. A resposta a esse verdadeiro assalto a população veio nas ruas, na forma de mais manifestações, cada vez maiores, chegando a reunir quase 10 mil pessoas. A pressão popular culminou na revogação do aumento por uma liminar da Justiça
Manifestação do dia, 04/04/2013
Porém, a luta não terminou. As empresas ainda podem recorrer da decisão, e o Bloco de Luta pelo Transporte Público permanece mobilizado, para impedir isto e para avançar ainda mais nas pautas, que hoje são a diminuição da tarifa para R$ 2,60 e a abertura das contas das empresas

Veja abaixo uma entrevista com a Frente Autônoma, um dos grupos que compõem o Bloco de Luta pelo Transporte Público
1-  Há alguns meses, se acompanha em Porto Alegre um forte movimento em torno da questão do transporte coletivo, em especial com relação ao aumento da tarifa. Mais que no ano passado, por exemplo. A que fatores vocês atribuem esse crescimento da luta contra o aumento da tarifa?

Um dos principais fatores diz respeito a nossa articulação, aqui em Porto Alegre, a data em que o aumento costuma chegar é no final do mês de fevereiro, nos anos anteriores os diversos grupos que compõem o Bloco de Lutas se reuniam em torno de um mês antes desta data para puxar os atos e tentar barrar o aumento, este ano foi diferente; já na primeira semana de janeiro chamamos uma assembléia, nela encaminhamos as Comissões de Trabalho e marcamos um ato, e mesmo com dificuldade em consensos, de lá pra cá tivemos quase que um ato por semana, mas até então eram marchas onde saímos pelas ruas do Centro entregando panfletos e dialogando com a população, mas que embora o número de pessoas aumentasse a cada ato, estes não chegavam a 500 pessoas; até que na última semana, após realizarmos dois atos simultâneos  trancando duas vias importantes da cidade, onde a PM e a Guarda Municipal agiram de forma totalmente truculenta e dois dias depois, saímos às ruas novamente e em outro confronto, desta vez em frente à prefeitura envolvendo o secretário de governança da cidade o prefeito José Fortunati foi à público convocar os “cidadãos de bem” a não aceitarem a “violência” dos “baderneiros”, o que se viu depois disso foram 10 mil pessoas nas ruas exigindo a revogação do aumento e a redução imediata no valor para R$ 2,60.

A nossa organização, a decisão do TCE, o repúdio às declarações do prefeito, as jogadas da mídia – principalmente do Grupo RBS – que durante todo o tempo tentou nos criminalizar e nos dividir, juntamente com a repressão policial, serviram de fermento para a nossa luta que a cada dia cresce e toma as ruas, o que se vê hoje em Porto Alegre, são milhares de pessoas que vem tomando consciência que é na força das ruas onde pressionaremos e teremos vitória de fato.
2 - No meio desse processo de luta, houve uma “orientação” do TCE, quanto à redução da Tarifa e seu recalculo. Como se deu isso? Vocês avaliam que isso foi reflexo da luta nas ruas?

No final de janeiro, o TCE seguindo o pedido feito pelo Ministério Público, determinou que a EPTC revisasse o modo como é feito o cálculo do aumento das tarifas, foi observado que as empresas de ônibus faziam um cálculo irregular, pois era considerada a frota total de veículos na hora do reajuste. No inicio de março os recursos protocolados pela EPTC e pelo Sindicato das Empresas de Ônibus (SEOPA) foram negados e por determinação do TCE o cálculo do aumento não poderia mais ser feito sobre a frota inoperante, e mais, sugeriram o redução do valor da tarifa para R$ 2,60, pois este seria o valor apontado com o cálculo sobre a frota operante.

Após este resultado, a EPTC fez um novo pedido, desta vez utilizando outros recursos para ao aumento, dentre eles, jogando a culpa nos trabalhadores rodoviários, nos estudantes e nas isenções, o pedido foi aceito pelo COMTU e fez com que Porto Alegre tivesse a 2ª passagem mais cara das capitais do país.

Durante todo este processo, seguimos em luta nas ruas, mesmo com o primeiro resultado do julgamento, temos a clareza de que foi a nossa luta, o debate com a população, a denúncia dos lucros dos empresários que trouxeram esta pauta à tona e o que resultou no apontamento do TCE. Sabíamos que este resultado daria mais “legitimidade” às nossas reivindicações perante a população, mas em nenhum momento substituímos a ação popular nas ruas por debates em gabinetes, esta não é a nossa forma de fazer política, demonstramos isso quando 10 mil pessoas foram às ruas na última semana reafirmando onde é a nossa esfera de luta.
3 - Agora a luta continua contra esse novo aumento, que foi aprovando pelo COMTU (Conselho Municipal de Transporte Urbano). Como vocês enxergam o papel desse conselho em relação ao transporte coletivo de Porto Alegre? Existe alguma forma da sociedade civil atuar dentro dele?

 O papel do COMTU hoje é o de beneficiar os empresários; o Conselho é composto majoritariamente por órgãos vinculados à prefeitura e às operadoras, existe um regimento interno que diz que para entrada no Conselho é necessário o crivo das entidades que compõe o COMTU, desta forma, é a prefeitura e as operadoras que escolhem quem entra ou sai do Conselho, trabalhando de forma coordenada para visar apenas o lucro das empresas e colocando o transporte público em segundo plano. Os poucos representantes da sociedade civil que fazem parte do Conselho não possuem nenhuma voz lá dentro, ao contrário, muitas vezes ignoram aqueles aos quais eles representam e votam junto aos empresários, como foi o caso do Orçamento Participativo e da União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre – UMESPA que ignorou todo o processo de luta dos estudantes e votou a favor do aumento numa clara traição àqueles aos quais ela deveria representar.

Isso sem falar na forma como é votado o percentual de aumento, pois os conselheiros têm apenas 24 horas para analisar as planilhas e decidir contra ou a favor do aumento, planilha essa que é elaborada pela EPTC, órgão da prefeitura que durante todo o tempo se colocou descaradamente ao lado dos empresários mesmo com o parecer do TCE.

Sendo assim, o COMTU, da forma que está organizado hoje, em nada pode ajudar a população, é um jogo de cartas marcadas onde quem sempre ganha é a Associação de Transportadores de Passageiros - ATP. Temos total clareza de que com os conselheiros que lá estão, por mais absurdo que seja o percentual, o aumento sempre será aprovado.
4 - A Luta hoje em Porto Alegre é tocada pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público, e vocês constituem a Frente Autônoma (FA), dentro desse Bloco. Como se constituiu e funciona hoje o Bloco de Luta? De que forma a Frente Autônoma atua dentro dele?


Há alguns anos que se tenta formar uma unidade na luta do transporte, o que nunca deu muito certo por aqui, no ano passado se teve mais uma tentativa, foi aí que surgiu o Bloco de Lutas pelo Transporte Público, formado por movimentos sociais, companheiros autônomos, independentes e alguns partidos políticos. Infelizmente, por conta de uma série de desavenças entre os partidos que compõe o Bloco e os demais autônomos e independentes, o Bloco acabou rachando ainda durante as lutas contra o aumento, o resultado foi a fragmentação em dois grupos pequenos: um dos partidos e outro dos demais compas autônomos e independentes fazendo atos separados, o que nada contribuiu para barrar o aumento. Este ano se fez uma nova tentativa de reagrupar o Bloco e entrar em consenso.

Logo no inicio, os mesmos problemas do ano anterior vieram à tona, uma preocupação muito grande em garantir  o Bloco como independente e tentando evitar o aparelhamento, mas embora pensássemos da mesma forma, que o Bloco devia se manter autônomo, horizontal, com acordos firmados em assembleia, e mais, que estes acordos fossem cumpridos de fato quando estivéssemos todos juntos na rua, ainda assim éramos um grupo solto dentro das assembleias onde os partidos levavam todos os seus militantes para disputar fala, o que estava fazendo muita gente pensar em desistir do Bloco pois saíamos cansados de tanta discussão e pouco encaminhamento pra luta.

No final de janeiro boa parte dos militantes deste grupo mais autônomo do Bloco  participaram do ELAOPA – Encontro Latino Americano de Organizações Populares e Autônomas, numa conversa com os compas do MPL/Jlle conseguimos enxergar que este problema (a disputa com os partidos e a luta pelo não aparelhamento do movimento por parte destes) era a mesma em todos os lugares e que só de forma organizada é que conseguiríamos intervir de fato dentro do Bloco, é ai que surge a ideia da Frente autônoma.

A finalidade da FA é de organizar companheiros e companheiras que não possuem vínculo com partidos e demais instituições de cunho eleitoral, nosso trabalho desde então foi lutar dentro do Bloco para garantir uma grande unidade entre distintas vertentes políticas e organizativas e que também não fosse alvo de aparelhamentos.

Temos conseguido juntar um grande número de compas dispostos a fazer a luta fora das urnas, temos organizado mobilizações descentralizadas, como ocupação de terminais de ônibus e panfletagem nos locais mais afastados da cidade, temos feito um trabalho desde a base, de forma pequena, pois ainda estamos aprendendo, mas com certeza estamos sendo forjados nas lutas que tem se seguido nos últimos meses, nunca perdendo o nosso foco que é a construção do poder popular, a construção de um povo forte e não de candidatos fortes.
5 - Nos chama atenção para além da luta contra o aumento da tarifa, a aproximação que o Bloco de Luta tem com motoristas e cobradores, onde um participa e apóia a luta dos outros. Como se dá essa relação? Há um entendimento de que os trabalhadores e usuários do transporte coletivo são vítimas de um mesmo processo de exploração?

Nós entendemos que a luta por um transporte realmente público e de qualidade é uma luta de todos, estudantes e trabalhadores, aliás, a mídia é que tenta o tempo inteiro deslegitimar as mobilizações dizendo que é uma luta somente dos estudantes e ignorando a unidade que existe hoje no Bloco.

A unidade com os rodoviários tem sido construída deste o inicio, temos acompanhado a luta contra um sindicato pelego ligado à Força Sindical que tenta dar golpes o tempo inteiro e senta pra fazer conciliação com a patronal, entendemos que a solidariedade de classe é mais do que uma simples palavra no papel, ele deve ser exercida de fato.

Hoje os rodoviários sofrem com uma jornada de trabalho de 12 horas diárias, e ainda são acusados pelos empresários de ser um dos culpados pelo aumento das passagens, quando na verdade, se pegarmos as pesquisas do DIEESE, podemos ver que em 1994 o salário de um motorista custava o equivalente  a 1.184 passagens e em 2012 este valor passava para 610 passagens, ou seja o argumento de que o aumento se deve ao dissídio destes trabalhadores, é um argumento mentiroso que deve ser combatido.

Nossas ações conjuntas tem se dado desde a participação nos atos como também nos trancaços  nas garagens de ônibus, estes trabalhadores têm nos dado grandes exemplos de luta, como num episódio onde um rodoviário foi demitido numa clara perseguição por participar da Comissão de Negociação e a resposta aos empresários foi dada com a paralisação nas atividade desta empresa até a reintegração  deste trabalhador.

6 - Em linhas gerais, como funciona o transporte coletivo em Porto Alegre? É privado ou público? Há alguma gratuidade ou meia-passagem para os estudantes? Ao que parece há uma empresa estatal de transporte em Porto Alegre. Qual é seu caráter: ela tem um viés público, que caminhe no sentido do barateamento e/ou gratuidade da tarifa? Há algum controle popular sobre a empresa estatal de transporte?

O transporte público de Porto Alegre esta baseado em concessões para empresas e consórcios administrarem esse serviço público. A Carris, que é uma empresa pública, mas com capital privado, segue o mesmo projeto das outras: Aumentar os lucros e sucatear o serviço.

Há quase 25 anos os porto - alegrenses mobilizaram suas forças nas ruas para  encampada da empresa Carris e torná-la pública sobre controle do município, isso em meados de 1989. Desde lá o caminho segue sendo o contrário das mobilizações: A Carris apresenta uma frota de ônibus com maior qualidade do que as privadas, mas se manteve circulando por bairros centrais, deixando a prestação do serviço das linhas das periferias e comunidades para empresas privadas. O resultado: Condições precárias de serviço, ônibus lotado, poucas linhas nos horários de pico. Viramos umas latas de sardinha, um sufoco pra grande maioria dos trabalhadores.

Vivemos em Porto Alegre à quase duas décadas sem um processo transparente de licitações para o transporte público, as empresas que

estão atuando hoje são mantidas pela base de liminar na justiça (Justiça à serviço do capital) e a vista grossa do poder público, (empresas privadas doam recursos para campanhas e depois cobram a conta...) na realidade são empresas ilegais, assim como nas concessões de canais de televisão e rádio, o grupo RBS está ilegal pois sua concessão está vencida há anos (mas isso é outra conversa).

Há alguns anos os movimentos apontam para a necessidade de um auditoria pública e com ampla participação dos setores organizados da cidade nas contas das empresas privadas, o resgate da bandeira histórica dos trabalhadores por um transporte 100% público sob controle popular. Esse ano a unidade em torno da pauta reuniu estudantes e rodoviários (oposição ao sindicato que é pelego) na construção de um projeto que retome a Carris como empresa pública à serviço da maioria da população, e a retomada das encampadas para a estatização ou socialização do transporte ( se encaminhou em assembleia do Bloco a construção de um grupo de trabalho sobre concepção de transporte público) nossas pautas ganharam as ruas de uma forma intensa nas noites de outono na cidade de Porto alegre.

As ruas contam essa história, nossas urgências estão pintadas nas paredes da cidade e não cabem nas urnas. Avançamos na unidade combativa e na construção de um transporte 100% público com controle popular pela força das ruas.


7 - Quais são as perspectivas da luta a partir de agora que o aumento foi revogado?

A revogação do aumento foi uma vitória parcial, pois foi a partir de uma liminar judicial e os empresários já entraram novamente com o pedido de aumento; por isso vamos seguir e intensificar as lutas para que o valor da passagem seja reduzido para R$ 2,60, garantir que nenhum direito conquistado seja perdido, como as isenções para estudantes e idosos, lutar pelo passe livre para estudantes e trabalhadores desempregados e meio passe para os trabalhadores ao domingos.

Também entra para a nossa pauta de reivindicações que as empresas abram as contas e as tornem públicas para que a população possa saber o tamanho de seus lucros.

A nossa luta segue nas ruas combatendo qualquer tentativa de criminalizar o movimento, pois pessoas estão sendo intimadas pela justiça e tivemos mais um caso de uma trabalhadora da Carris que foi demitida por participar do movimento, mas que, com a luta popular acaba de ser reintegrada.

O movimento tem demonstrado força e unidade, e isso já é um grande vitória, mas sabemos que temos muita luta pela frente pois temos no nosso horizonte a conquista de um transporte 100% público e com o controle popular, mas isso só será possível se seguirmos firmes lutando e vencendo pela força das ruas!


Veja mais vídeos das manifestações:

Leia mais sobre o revogamento do aumento e a luta pelo transporte em Porto Alegre:

sábado, 3 de novembro de 2012

[PortalJoinville] Dia Nacional de Luta pelo Transporte Público



Matéria completa no Portal Joinville.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Entrevista com o MPL sobre o aumento da tarifa de ônibus em janeiro

Breve entrevista que o militante André "Beavis" cedeu ao jornalista Jacson Almeida, da Gazeta de Joinville:

Já conversaram com o Carlito?
Nesse momento não, mas nós já conversamos com ele e com o IPPUJ em diversos outros momentos e eles sabem muito bem, assim como toda população joinvillense, que o movimento é completamente contra qualquer aumento na já elevada tarifa do ônibus. Outra coisa que vale ser colocado, é que o Carlito não conversou com ninguém da sociedade civil, nem dos movimentos sociais da cidade para saber o que achávamos do aumento. Ele só conversou com os empresários das empresas de ônibus.

Haverá pressão para não aumentarem?
Sim, nós do MPL estamos nos posicionando contra o pedido de aumento, e começando um processo de mobilização das pessoas para lutar com o (possível) aumento.

Acham que é justo a tarifa?
Você acharia justo pagar R$ 2,30 para tomar uma injeção contra a Gripe A, pelo Sistema Único de Saúde (SUS)? Ou acharia justo pagar R$ 2,30 por cada dia de aula em uma escola pública? Ou ainda pagar R$ 2,30 para brincar em alguma praça pública da cidade? O fato não é se a tarifa é justa ou não, porque ela esta cara ou não. O grande 'x' da questão é: porque se paga por um serviço público e para os demais serviços não se paga? Ou seja, eles são pagos de forma indireta, através dos impostos que a prefeitura arrecada. No nosso ponto de vista qualquer tarifa cobrada no transporte coletivo é injusta.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Entrevista com Lúcio Gregori

Conheça um pouco mais sobre Lúcio Gregori e o projeto Tarifa Zero. Lúcio estará presente no 2º Seminário “Mudar o transporte, fazer a cidade”, que acontecerá dia 19 de agosto, aqui em Joinville.

Parte 1



Parte 2



Essa entrevista foi realizada pelo MPL de Brasilia/Distrito Federal.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Outras vozes na cidade

Entrevista concedida à MK. Reproduzido de Vivonacidade


A entrevista a seguir é com Kleber Tobler, militante social do Movimento Passe Livre de Joinville, que no último Grito dos-as Excluídos-as na cidade foi vítima da repressão estatal aos movimentos sociais. Infelizmente não é uma novidade como podemos perceber as ameaças, perseguições, prisões ao MPL-Joinville, aos trabalhadores-as da Cipla-Interfibra, ao movimento estudantil e outros.

A publicação acontece somente agora por conta da audiência que já aconteceu e o Exército resolveu arquivo o processo contra o movimento.

O que levou você a participar do Grito dos Excluídos em Joinville ?

Tobler - Pelo segundo ano consecutivo o Movimento Passe Livre Joinville, do qual eu sou militante, participa do movimento do Grito do Excluídos, que é uma manifestação popular promovido pela Igreja Católica inserida no desfile de independência do Brasil e tem a participação dos movimentos populares, pastorais, entidades, igrejas e movimentos sociais. Para mim e para o MPL Joinville é sempre uma grande satisfação e orgulho participar do Grito, manifestação esta que promove realmente um verdadeiro desfile cívico, no qual se encarrega de levar o caráter popular de manifestação aos brasileiros, comprometido com verdadeira cidadania, fortalecida sempre pela democracia direta. O Grito apesar de ainda ser visto com forte preconceito por setores conservadores tem tido um grande reflexo positivo dentro do desfile de 7 de setembro perante a sociedade. O desfile é sempre carregado de simbolismo e reivindicações populares e tem um forte comprometimento com as causas sociais.

Os poderes constituídos na cidade estão escutando as vozes dos-as excluídos-as ?

Tobler- Sinceramente acho que nem um pouco: os poderes constituídos da cidade de Joinville têm olhado sempre com grande preconceito e indiferença as vozes dos excluídos da cidade. O MPL, outros movimentos e setores populares têm sido perseguido e criminalizado na cidade de Joinville.

O nosso movimento, por exemplo, tem sofrido constante violência e repressão dos poderosos da cidade. Já fomos presos por nos manifestar em diversas ocasiões, perseguidos por grupos monopolistas do transporte coletivo com contratações de gangues e seguranças particulares para nos intimidar e perseguir.

Somos também constantemente criminalizados pela “imprensa marrom” de Joinville que tem se colocado como porta voz de grupos empresariais e políticos da cidade de Joinville.

O prefeito em exercício tem demonstrado em anos de governo um modo de governar, no mínimo, “fascistóide”, pois se alia à máfia empresarial local e a politicagem corrupta da cidade contra as vozes que lutam contra as injustiças sociais e tem usado de todos os poderes em mão para destruir e criminalizar os movimentos sociais da cidade.

A ditadura militar brasileira (1964-85) perseguia, prendia, torturava e até matava seus-uas opositores-as. Hoje ainda sofremos com as permanências esse nefasto momento da história recente do Brasil ?

Tobler- Atrevo-me a dizer que a ditadura não acabou definitivamente com a dita redemocratização do país.

Lembre dos exemplos que dei somente com o MPL Joinvile, um movimento que tem apenas três anos de atuação e militância e já foi diversas vezes perseguido e criminalizado com táticas que lembram seguramente os tempos ditatoriais.

O estado de direito que temos hoje é constituído por muitos do que mataram pessoas e destruíram a democracia brasileira.

Quer exemplos do que falo? A policia militar do mesmo período permanece até hoje com a mesma estrutura e cultura militar; o serviço de inteligência da antiga SNI só mudou o nome, continua com as mesmas táticas dos seus tempos criminosos de perseguição e espionagem, e tem vários espiões do período trabalhando dentro da agência.

O congresso nacional é repleto destes meliantes políticos da ditadura, o poder como um todo em diversos setores também tem cadeiras ocupadas por estes criminosos de guerra.

Os militares que perseguiram, mataram e estupraram seus opositores estão livres e impunes levando a vida normalmente, vivendo muito bem do dinheiro do povo que perseguiu.

Temos um exercito que é um verdadeiro cão de guarda dos poderosos nacionais e do capital internacional.

Mentira? Quando há uma ocupação de terra pelo MST lá está a policia militar ou o próprio exército armado até os dentes para proteger os “indefesos” latifundiários de terra.
Quando a cidade de Florianópolis foi tomada por uma multidão contra o aumento das passagens lá estava a polícia militar com todo seu aparato de repressão contra o povo e protegendo os terminais monopolizados pela máfia do transporte. Depois de uma verdadeira revolta popular os poderosos colocaram na cidade de Florianópolis um escritório da ABIN para vigiar a cidade insurgente.

Acho que se ficar listando há inúmeros casos a levantar, fico por aqui. E digo seguramente que estamos longe de um estado democrático verdadeiro, comprometido com seu povo bem como sua soberania.

No domingo (07 de setembro de 2008) foi preso o KT ou um movimento social, numa outra tentativa do Estado de criminalizar os movimentos sociais ?

Tobler- No domingo mais que um militante do Movimento Passe Livre foi preso um corpo simbólico dos movimentos sociais, manifestando ali dentro do Grito dos Excluídos em busca do direito à vida e o respeito pelos direitos humanos. Infelizmente mais uma vez foi coagido e calado pela força e a intolerância do Estado falsamente democrático.

Em relação à criminalização, quais são os próximos passos que você espera dos movimentos sociais da cidade ?

Tobler- Espero mais aproximação dos diversos movimentos sociais e políticos da cidade. Vejo que estamos infelizmente altamente fragmentados, cada um mais preocupada com bandeiras e ideologias do que a construção de um novo paradigma político e uma nova sociedade. Infelizmente fiquei muito triste por ver que muitos setores da dita esquerda me criticaram ou me deram as costas em um momento em que eu precisava de solidariedade.

Quais as razões para buscar a intervenção artística caracterizado de um militar de formas demoníacas?

Tobler_ Como o próprio grito que se manifesta e carrega forte simbolismo, tentei me manifestar de forma lúdica e artística para mostrar o horror das perseguições e torturas dos militares, com a intenção de fortalecer o assunto na sociedade sobre a lei de anistia. A idéia era usar a farda militar como fantasia, usando no rosto uma máscara de demônio como personificação máxima da maldade dentro de nossa visão cultural religiosa brasileira. Vestido desta forma desfilaria na avenida carregando simbolicamente atados pela mão e pela boca três prisioneiros de guerra. Esta era a idéia a principio, que não se realizou pela truculência dos policiais, a mando dos soldados do exército.

Manifestar-se de forma lúdica sempre foi um traço muito forte em nosso movimento o MPL Joinville. Achamos nesta forma de expressão um canal poderoso de comunicação com a sociedade, principalmente para os mais jovens que geralmente simpatizam com esta forma de expressão e comunicação.

Como o próprio movimento é juvenil e do movimento estudantil nos manifestamos sempre longe dos tipos tradicionais de manifestação da esquerda, que a nosso ver já estão superadas e vistas com apatia pela nova conjuntura social brasileira.

Levar um caminhão de som subir lá em cima e se comunicar aos berros fazendo cara feia é algo do passado e esgotado como forma de comunicar-se com as massas para nosso movimento.

Nossa intervenção política não deixou de lado o megafone e nem abandonou o diálogo, mas acrescentou a este uma forma alegre e descontraída de se manifestar através do ludismo artístico.