segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Dia Sem Carro 2007 em São Paulo - o que a grande (?) mídia não mostrou

Cerca de trezentas pessoas lideradas pelo espírito de alegria e resgate do espaço público participaram da Bicicletada do Dia Sem Carro no último sábado (22).


Usuários de bicicleta, patins, skate e patinetes ocuparam a Avenida Paulista para celebrar as cidades humanas e a convivência entre as pessoas. As atividades na Praça do Ciclista começaram de manhã, com um mutirão de limpeza do espaço e prática meditação. Vozes múltiplas tiveram espaço na Massa Crítica. São muitas as reivindicações de quem usa transporte a propulsão humana em São Paulo. Todos têm poder e cada um tem muito o que dizer.

A Bicicletada é um espaço horizontal, sem líderes, sem heróis nem fronteiras. Um exercício de democracia que acontece no espaço público das cidades.

Veja Matéria Completa no blogue Apocalipse Motorizado

Os paradigmas, os transportes urbanos e a Tarifa Zero

Por Lúcio Gregori
Reproduzido do saite Desacato

Os paradigmas são , em geral de difícil mudança. Na Ciência em que pese essa dificuldade, existe todo o aparato da demonstração matemática e empírica que garante a mudança. Mesmo assim, são clássicos os exemplos de Copérnico, Galileu e outros, vítimas à sua época de preconceitos, chistes e mesmo condenação moral ou religiosa.Quem hoje teria condições de defender o geocentrismo ou a invariância do tempo?

Como disse Eric Hobsbaun, historiador com seu humor tipicamente inglês em um dos livros mais recentes: A humanidade é muito conservadora. Afinal o que restou de concreto da sanguinária Revolução Francesa não foram propriamente a liberdade, a igualdade e a fraternidade, mas... a adoção no ocidente do sistema métrico decimal!

Da Revolução russa de 1917, não o comunismo mas...a adoção pelos russos, do calendário Gregoriano ao invés do Juliano!

Eu acrescentaria sendo apenas irreverente e parafraseando Shakespeare; muito barulho por quase nada!

Que dizer então dos paradigmas sócio-econômicos? São de mudança muito mais difícil. Não digo a mudança geral da sociedade mas de pequenas mudanças , digamos, setoriais.

É assim com os transporte urbanos.O paradigma existente diz que o transporte urbano é serviço público, mas é tarifado.De todos os serviços públicos municipais, o único que é pago no ato de sua utilização é o serviço de transportes urbanos.

De resto, uma contradição: se o serviço é público, não pode ser pago quando de seu uso. Ele é privado para aqueles que fazem tal pagamento!

A ninguém, pelo menos por enquanto, passa pela cabeça pagar matrícula e mensalidade na escola pública ou pagar procedimentos médicos ambulatoriais ou cirúrgicos nos serviços públicos de saúde, ou mesmo pagar a coleta de lixo no ato de sua utilização.

A ninguém também, infelizmente, passa pela cabeça andar de ônibus sem nada pagar quando de sua utilização!

É o paradigma existente e para sua defesa não faltarão os argumentos da indivisibilidade de alguns serviços públicos, a distinção entre serviço público ou de utilidade pública e assim por diante.Em palavras simples, não faltarão argumentos pseudo objetivos para justificar tal contradição.São pura enrolação.
A Tarifa Zero é o nome que teve um projeto do governo de Luiza Erundina em 1991.

Propunha a criação de um fundo de transportes, que receberia todo o mês 25% das receitas da prefeitura e assim pagava o serviço de ônibus urbanos da cidade de São Paulo. Os usuários nada pagariam quando da utilização dos ônibus.

Para a constituição de tal fundo, foi necessário propor uma reforma tributária.Esta teve como fundamentos dois princípios:

- Os maiores beneficiários dos transportes urbanos, são as empresas que através desse serviço, tem garantida a presença dos trabalhadores nos locais de emprego, e, pois, ao contrário do sentimento já introjetado no raciocínio, dos subalternos, de que os grandes beneficiários do transportes são eles e que portanto devem pagar por isso, conforme o paradigma vigente.

- A reforma deveria ter como eixo o entendimento de que, quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos e quem não tem não paga.Era uma reforma para implantação de impostos fortemente progressivos e não regressivos, como em geral no Brasil.

Não era possível estabelecer uma taxa transportes, maneira mais direta de contemplar recursos para o fundo, pois a criação de impostos ou taxas é iniciativa exclusiva do parlamento nacional.

Os impostos que sofreram alterações mais radicais , seguindo os princípios acima , foram o IPTU e ISS.
A reação ao projeto foi típica da reação a alterações de paradigmas.
De um lado os interesses econômicos, que nunca estão dispostos a pagar o preço que lhes é devido na sociedade, sobretudo em relação aos serviços públicos.

De outro lado, as classes médias ditas cultas, as associações de classes a
elas estreitamente ligadas e a mídia .
Em todos os casos a estratégia era a de desqualificação do projeto.
“Os ônibus serão invadidos por vagabundos e bêbados que não têm o que fazer“. “Haverá depredações pois não se dá valor ao que não se paga”.
“Pobres inquilinos que terão de arcar com um altíssimo IPTU”.
“Haverá um aumento geral dos preços pois o aumento de impostos serão repassados aos mesmos”.

O trabalhador não precisa de ônibus de graça mas sim de ganhar um salário que lhe permita ter um transporte de boa qualidade, foi o que disse à época Luís Inácio Lula da Silva.
No governo e no PT, então partido da prefeita, a quantidade de reações contrárias foi enorme. Poucos secretários e membros da cúpula do governo abraçaram o projeto.

Especialistas em transportes e urbanismo viram diversos fantasmas na proposta, desde sua inviabilidade técnica ( o que é uma bobagem), até a idéia de que isso subverteria o uso do solo, estimulando o periferização da cidade, dada a gratuidade dos deslocamentos, etc...etc...

O que se pode dizer que a tarifa zero, ” muda tudo”, e é essa sua intenção.
Com ela , finalmente se poderá ter a garantia do ir e vir da Constituição Federal.
Com ela, finalmente, se terá, para os subalternos a liberdade de deslocamento, hoje privativo dos que tem automóvel e renda para usá-lo sem limites. Não é por outra razão que o automóvel tem o apelo quase mítico em possuí-lo.
Com ela, se pode propor uma reforma tributária municipal “p’ra valer”.

Impossível falar sobre todos os aspectos e contradições evidenciados pela tarifa zero em um simples texto.

Além do potencial de revolucionar os transportes urbanos e assim a mobilidade de todos os moradores das cidades, ela tem um conteúdo de entendimento político que permite perceber com uma clareza impressionante, as verdadeiras travas, sejam políticas, econômicas, ideológicas, comportamentais, de valores introjetados etc... que impedem qualquer transformação mais profunda na sociedade brasileira.

No livro “Um governo de esquerda para todos”, Paul Singer, secretário de planejamento da prefeitura à época e um dos poucos secretários que defenderam ardorosamente o projeto, o leitor interessado poderá achar informações detalhadas sobre o projeto.

Em tempo. O projeto de 1991 não foi votado pela Câmara de Vereadores.
Pesquisa de opinião feita pelo Instituto Toledo deu como resultado que cerca de 70% dos entrevistados tinham entendido o significado da proposta enquanto reforma tributária e conseqüente gratuidade dos ônibus e aprovavam o projeto.

Nem tudo está perdido.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

22 de setembro: Dia Mundial Sem Carro

Sábado, 22 de setembro, será o Dia Mundial Sem Carro: uma jornada de reflexão sobre o uso do automóvel particular e ação por cidades mais humanas.

Em mais de 1500 cidades ao redor do planeta, pessoas, organizações, poder público e empresas se mobilizam para criar alternativas à destruição urbana e humana causada pela máquina de quatro rodas.

Em São Paulo, a semana será intensa. Na quinta-feira (20) ocorrerá um desafio intermodal, uma competição no horário de pico entre diferentes meios de transporte ( veja o relato do desafio no ano passado ).

Na sexta-feira (21) está programado uma limpeza na praça do ciclista, dentre outras atividades preparatórias para o dia seguinte. No sábado (22), acontece mais uma Bicicletada do Dia Sem Carro, com atividades lúdico-educativas durante todo o dia na Praça do Ciclista e uma massa crítica saindo às 15h.

Além das atividades organizadas pela Bicicletada, uma série de eventos e atividades estão sendo programados pela Prefeitura e pelo Movimento Nossa São Paulo.

Mais informações: Apocalipse Motorizado | bicicletada.org | World Car Free

Programação em São Paulo

Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/09/394736.shtml

Dia mundial sem carros - 22 de setembro



Dia 22 de setembro é o dia de desmilitarizar as ruas, de abrir os vidros escuros, de sair de trás das grades do condomínio fechado, de sair de dentro das bolhas móveis e conectar-se com a realidade.

Violência gera violência.

Comportamentos individualistas geram a desagregação do tecido urbano, medo e mais violência.

Uma flor aos que estimulam a guerra.

Uma música para quem só ouve motores e buzinas.

Uma poesia para quem só vê televisão.

Uma bicicleta, dois pés ou um Bilhete Único aos dependentes do automóvel.

Não queremos destruir os carros, só queremos que eles não destruam a humanidade.

Fonte: www.apocalipsemotorizado.blogspot.com

Você está gostando das manifestações para barrar o aumento nas tarifas?

O Blogue do Movimento Passe Livre perguntou aos leitores: Você está gostando das manifestações para barrar o aumento nas tarifas? No total, 12 pessoas responderam a enquete.
Veja os resultados:

Sim, são bastante criativas - 12% (dois votos)

Sim, mas precisamos chamar mais gente - 66% (oito votos)

Mais ou menos
- 0% (nenhum voto)

Não
- 12% (dois votos)

Quer opinar mais sobre as manifestações? Deixe um comentário para nós, ou, se preferir, mande um e-mail para mpl.jlle@gmail.com

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Até Tebaldi entra na dança

Protesto no 7 de Setembro lembra R$ 35 mil que, segundo o MP, prefeito recebeu como propina

Ao ritmo do “Funk do Tebaldi”, manifestantes encerraram o desfile cívico de 7 de Setembro mostrando, de forma irreverente, insatisfação com as políticas públicas e com os governantes do município.

Mas o ponto principal ficou por conta dos protestos contra os atos de corrupção, denunciados pelo Ministério Público, contra o tucano Marco Tebaldi. O prefeito, que não compareceu no desfile, foi representado por um jovem que vestia uma máscara com seu rosto e ficava, entre os presentes, ostentando seu “Checão” e conversando com quem assistia ao desfile: “Olha só o que fiz. Passei a perna em vocês com o meu cheque e ainda, de quebra aprovei o aumento da passagem e continuo intocável. Se falarem, procuro uma desculpa que vocês vão engolir”, brincava o personagem que, acompanhado de Gebaili – outro manifestante fantasiado, parou em frente ao palanque de autoridades e apresentou a coreografia, muito bem ensaiada, ao som do funk.

O ato foi organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) juntamente com outras entidades que participam do Comitê de Defesa do Serviço Público, como grêmios estudantis, associações de moradores, centros acadêmicos entre outros. A principal bandeira do movimento é o transporte coletivo na cidade, mas acredita que essa causa não está desassociada de outras lutas históricas como contra a injustiça e a corrupção e a dignidade no setor público. Um dos representantes do movimento afirma: “A administração municipal passa por cima dos interesses da população e age sem ouvir as entidades e organizações populares. Nossa principal campanha é o ‘Nenhum centavo a mais’ contra o aumento da tarifa do transporte coletivo, pois acreditamos ser inconstitucional e que a população não foi ouvida nesta decisão”, afirma o estudante.

O MPL em Joinville surgiu em 2005, inspirados nas ações do movimento contra o aumento de tarifas de Florianópolis. Desde então, o coletivo vem marcando presença nos desfiles de carnaval e de 7 de Setembro na cidade, além de promover ações, debates, mostra de vídeos e outras atividades visando à conscientização e à formação política da população. “Nosso movimento é baseado em quatro princípios básicos: independência, apartidarismo, horizontalidade e decisões por consenso. Os participantes são, na maioria, estudantes de ensino médio e superior, público e privado, mostrando ser um movimento plural e diversificado”, diz um dos represen

O Grito dos Excluídos

QO bloco estava na programação do desfile dentro do bloco Grito dos Excluídos, com manifestações que aconteceram durante o Dia da Independência em todo o país.
Realizado pela primeira vez em 1995, o Grito dos Excluídos tem como objetivo apontar e lutar contra a corrupção e a exclusão social, além de manifestar o descontentamento com os políticos e a forma como vem sendo tratadas as denúncias na política brasileira.
A manifestação deste ano teve como tema as privatizações de setores públicos como água e energia. Trazendo palavras de ordem como: “Só comemora independência com justiça social” ou “Água e energia não são mercadoria”, o protesto reuniu cerca de 212 mil pessoas em todo país, segundo os organizadores do evento.

Fonte: http://www.gazetadejoinville.com.br/geral_156-2.html

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Passe Livre protesta no 7 de setembro

Pelo terceiro ano seguido, o Movimento Passe Livre participou do desfile de 7 de setembro, dia da indepêndencia do Brasil. Com o apoio da organização Grito dos Excluídos, o Passe Livre protestou para barrar o aumento nas tarifas de ônibus, que aumentaram de R$ 1,95 e R$ 2,40 para R$ 2,05 e R$ 2,50, no último dia 26. Este ano, o MPL promoveu a maior manifestação já vista em um 7 de setembro na cidade. Também estiveram presentes as entidades do Comitê em Defesa dos Serviços Públicos (CDSP), funcionários daFundição Tupy e alguns membros de partidos políticos.

O Passe Livre fez o diferencial no desfile por conta das ações lúdicas. Uma delas foi a nossa versão de Tebaldi dançando o Funk do Passe Livre. De improviso, rolou até coreografia. A bateria do movimento também engrossou os gritos de guerra. O Passe Livre foi aplaudido com gosto na frente da escadaria do Centreventos Cau Hansen. No palanque, quando o cortejo passou, a organização do evento ligou o som no máximo, tocando músicas americanas no dia da indepêndencia do Brasil.


A maior prova do sucesso das ações no 7 de setembro foi a ausência do prefeito Marco Tebaldi (PSDB) e do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB). O 7 de setembro é especial para o Passe Livre pois foi a primeira intervenção feita pelo movimento em Joinville. Em 2005, Tebaldi e LHS fizeram aquela famosa "cara de bunda" quando o cortejo passou embaixo de seus narizes. Em 2006, eles foram mais precavidos: saíram do palanque quando nos aproximamos. Este ano, entretanto, Tebaldi e LHS nem apareceram no desfile. No lugar deles, o vice-prefeito, Rodrigo Bornholdt (PDT) e o deputado estadual Darci de Matos (DEM). Ambos estão querendo aparecer em todas, com vistas na eleição do ano que vem.

Material relacionado:

Vale o Grito Fotos do 7 de setembro 1 Fotos do 7 de setembro 2 Vídeo 1 Vídeo 2
Vídeo 3 Vídeo 4 Vídeo 5 Vídeo 6 Vídeo 7 Vídeo 8 Vídeo 9

Seguranças protestam contra pagamento

O terminal central de ônibus de Joinville foi palco de novo protesto ontem à noite. Desta vez sem a participação do Movimento Passe Livre (MPL). Cerca de 20 dos 67 profissionais contratados para fazer a segurança nos dias de manifestação reclamam que não receberam o valor combinado com a empresa contratada pelas empresas de ônibus, a Seg Segurança.
O segurança Ivonei da Silveira conta que foram recrutados pela prestadora através de um sargento da Polícia Militar que prometeu pagar aos trabalhadores R$ 80,00 nos dois períodos - ou seja R$ 40,00 por turno - mas ao receberam o valor, uma surpresa: o contrante quis pagar R$ 50,00.
“Alguns dos seguranças aceitaram o dinheiro e foram embora, nós não”, esbravejou Silveira. Eles prometem engrossar o novo protesto do MPL programado para hoje, às 18 horas, na praça da Bandeira.

Fonte: Notícias do Dia

Sexta-feira "quente" para barrar o aumento

Tebaldi dança funk do passe livre
Tebaldi dançando o Funk do passe livre

Cerca de 100 estudantes e membros do Comitê em Defesa dos Serviços Públicos (CDSP) fizeram o terceiro dia de protestos para barrar o aumento nas tarifas de ônibus em Joinville. As passagens foram reajustadas à zero hora de domingo, de R$ 1,95 para R$ 2,05 e de R$ 2,40 para R$ 2,50.

A manifestação foi bem humorada, com a presença do “prefeito” Marco Antônio Tebaldi. Como não podia deixar de ser, Tebaldi fez uma bela interpretação do Funk do Pase Livre. Afinal, estamos na cidade da dança ou não estamos?

Além do funk, que animou o protesto, três membros do Movimento Passe Livre (MPL) chamaram a atenção para a prática de cuspir fogo (pirofagia). Depois do susto inicial, tudo correu bem e o fogo ajudou a chamar a atenção para a causa do alto preço da tarifa.

frente ao terminal

Hoje (segunda-feira) haverá mais um protesto em frente ao terminal. Será a primeira atividade após o aumento já ter sido realizado.

Em dez anos, a inflação acumulada no Brasil foi de 88%, enquanto o aumento tarifário de Joinville foi de 173%, ou seja, quase o dobro da inflação. Nesses mesmos 10 anos, a Gidion e Transtusa perderam 30% de seus passageiros, e, se continuar assim, brevemente entrarão em um colapso econômico. O Movimento Passe Livre propõe a reforma do sistema de transporte no Brasil, com a municipalização/estatização do sistema urbano de transporte e a retirada da iniciativa privada do ramo.

Veja fotos da manifestação de sexta-feira

Fotos 1
Fotos 2

Passagem mais cara de Santa Catarina

Transporte coletivo
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Passagem mais cara de SC

Prefeito reajusta a tarifa de ônibus em 10 centavos, não atende empresários e desagrada usuários

Marco Aurélio Braga

O prefeito Marco Tebaldi reajustou em R$ 0,10 a tarifa do transporte coletivo urbano, decisão que desagradou aos usuários e não atendeu ao pedido das empresas – Gidion e Transtusa –, que queriam aumento para R$ 2,18. Os novos preços entram em vigor à meia-noite de domingo, 26 de agosto. A passagem comprada antecipadamente subirá de R$ 1,95 para R$ 2,05. A embarcada (quando o usuário compra o bilhete ao entrar no ônibus) e o serviço Pega Fácil passam de R$ 2,40 para R$ 2,50. Com isso, Joinville torna-se a cidade catarinense com a passagem de ônibus mais cara do Estado.

Dia 26
Os novos preços, R$ 2,05 (passagem antecipada) e R$ 2,40 (embarcada), devem entrar em vigor no domingo
Às 10 horas de ontem, em seu gabinete, Tebaldi se reuniu com 68 representantes de associações de moradores de Joinville. Liderados pelo Conselho das Associações dos Moradores de Joinville (Comam), o grupo ouviu os argumentos do prefeito e concordou com o reajuste de 4,65%. “Houve uma votação aberta sobre o aumento. A decisão foi unânime”, diz o coordenador do Comam, Reinaldo Gonçalves.
A estratégia de Tebaldi era dividir a responsabilidade com setores da sociedade. O prefeito argumenta que o reajuste médio de 4,65% é inferior aos 4,9% da inflação no período de 18 meses. Este prazo de um ano e seis meses é em relação ao último reajuste, que ocorreu em fevereiro de 2006. As duas empresas concessionárias têm uma frota de 263 veículos que transportam em média 200 mil usuários por dia.
A Gidion e a Transtusa haviam apresentado, em junho deste ano, proposta de reajuste de 11,97%, com base nos aumentos no custo do transporte. Com isso, o valor da passagem antecipada subiria para R$ 2,18; e a embarcada passaria para R$ 2,73. A Prefeitura preferiu não aceitar o cálculo da planilha e optou pelo reajuste conforme a inflação do período. As empresas informaram, por meio de suas assessorias, que só se manifestarão depois da assinatura do decreto, na próxima semana.
Até as associações de moradores que concordaram com o reajuste fizeram exigências, como melhorias de linhas, maior número de abrigos, pavimentação de vias e mais pontos de vendas de passagens. Também arrancaram do prefeito a garantia de que não haverá mais nenhum aumento até o final do mandato.
O Movimento Passe Livre promete ir às ruas na próxima semana. Sandovan Vivan Eichenberger, um dos integrantes do movimento, avisa que na próxima terça-feira haverá uma grande manifestação contra o reajuste. “Não vamos aceitar este aumento, que é antidemocrático e ditatorial”, protesta.
Moacir Nazário, secretário-geral da Federação das Associações de Moradores de Joinville (Famjo), diz que é difícil aceitar um aumento, mesmo que de R$ 0,10. A Famjo não foi convidada para participar da reunião com o prefeito. Os líderes da federação já haviam se manifestado contra qualquer reajuste.

marco.braga@an.com.br

Arquivo de 17 de agosto de 2007